Ex-vice-prefeito de Itaúna é indiciado em investigação sobre corrupção na mineração
Hidelbrando Canabrava é um dos dez indiciados na Operação Intrafortis; relatório aponta suspeitas de organização criminosa e lavagem de dinheiro

O ex-vice-prefeito de Itaúna, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto, foi indiciado pela Polícia Federal (PF) por organização criminosa e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Intrafortis. A investigação apura um suposto esquema de pagamento de propina a servidores públicos para acelerar a liberação de licenças ambientais e autorizações relacionadas à atividade minerária em Minas Gerais.
Megaoperação
O relatório final da investigação foi concluído em agosto de 2026 e encaminhado à Justiça Federal. Ao todo, dez pessoas foram indiciadas, entre elas dois delegados da PF, um ex-deputado estadual e Hidelbrando. Segundo a investigação, o grupo teria atuado na negociação de direitos minerários, corrupção e lavagem de dinheiro. Os ativos envolvidos nas negociações seriam avaliados em mais de R$ 200 milhões.
A PF afirma que a investigação reuniu dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos, além de documentos. O material teria revelado uma estrutura que utilizava empresas registradas em nome de terceiros para realizar negócios relacionados a direitos minerários e, segundo os investigadores, ocultar os interesses dos envolvidos.
Entre os principais nomes citados está o delegado federal Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da PF em Minas Gerais. Ele foi indiciado por organização criminosa, tentativa de embaraço à investigação, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, Teixeira teria mantido atuação oculta no mercado minerário enquanto ocupava funções relevantes na corporação. A defesa contesta as acusações e afirma que o relatório é carente de provas.
Relação com a Operação Rejeito
O novo indiciamento ocorre após Hidelbrando já ter sido alvo da Operação Rejeito, deflagrada em setembro de 2025 para investigar suspeitas de corrupção e irregularidades no setor de mineração. Na época, ele era vice-prefeito de Itaúna e tinha experiência na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), onde ocupou cargos como secretário-executivo e subsecretário de Regularização Ambiental.
Segundo as investigações, Hidelbrando teria utilizado o conhecimento adquirido durante sua passagem pelo setor público para facilitar negócios relacionados à mineração. Ele também foi apontado como sócio de empresas que, conforme os investigadores, poderiam funcionar como estruturas de blindagem patrimonial. As suspeitas são negadas pela defesa.
Quando a Operação Rejeito foi deflagrada, Hidelbrando estava fora do Brasil e era alvo de prisão preventiva. Ele permaneceu no exterior por meses e retornou posteriormente ao país. A defesa afirma que a viagem havia sido planejada antes da operação e nega que tenha ocorrido uma tentativa de fuga.
Disputa pelo cargo
A permanência no exterior também provocou consequências políticas em Itaúna. Em janeiro de 2026, a Câmara Municipal declarou a vacância do cargo de vice-prefeito, alegando que Hidelbrando havia permanecido fora do país por mais de 15 dias sem autorização do Legislativo, conforme previsto na Lei Orgânica Municipal.
A defesa tentou suspender a decisão na Justiça, alegando falta de procedimento formal, contraditório e ampla defesa. O pedido liminar foi negado pela 2ª Vara Cível da Comarca de Itaúna. O juiz Alex Matoso Silva considerou que os argumentos precisavam de análise mais aprofundada e destacou que a ausência do vice não comprometia o funcionamento da administração municipal.
O pedido para que o processo tramitasse em segredo de Justiça também foi negado. A ação continuou em andamento enquanto as investigações criminais avançavam. Em decisão posterior, a Justiça manteve o entendimento de que a disputa deveria seguir pela tramitação regular.
Retorno ao Brasil
Depois de permanecer meses no exterior, Hidelbrando retornou ao Brasil. Em fevereiro de 2026, passou a cumprir prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, por determinação judicial, enquanto as investigações continuavam.
A defesa afirmou que o retorno ocorreu de forma espontânea e que Hidelbrando se colocou à disposição da Justiça. Os advogados também sustentam que os fatos investigados não estão relacionados à atuação política do ex-vice-prefeito e que a inocência dele será demonstrada no decorrer do processo.
Próximos passos
Com a conclusão do inquérito da Operação Intrafortis, caberá agora ao Ministério Público Federal analisar as provas e decidir se apresentará denúncia contra os investigados. Caso a denúncia seja aceita pela Justiça, eles passarão à condição de réus.
O indiciamento, por si só, não representa condenação. Hidelbrando continua tendo direito à defesa e à presunção de inocência. Seus advogados negam as acusações e afirmam que os fatos serão esclarecidos durante o processo.
O caso, que ganhou repercussão em Itaúna com a Operação Rejeito, chega agora a uma nova fase, marcada pelo indiciamento na Operação Intrafortis e pela análise do relatório da PF pelo Ministério Público Federal.
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