‘Minas governável novamente’: plano de Kalil aposta em saúde, segurança e revisão fiscal
Ex-prefeito de BH defende ativação de hospitais regionais e mudanças na política fiscal do Estado; Agora dá sequência à série sobre os projetos dos candidatos ao Governo

Depois de comandar Belo Horizonte por mais de cinco anos e disputar o Governo de Minas em 2022, Alexandre Kalil (PDT) volta a concorrer ao Palácio Tiradentes com um discurso de reconstrução da capacidade do Estado de investir. O ex-prefeito aposta em uma equipe de especialistas para formular as propostas e apresenta um plano de governo com 147 páginas, protocolado na Justiça Eleitoral.
O documento reúne propostas para áreas como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, desenvolvimento social e finanças. Entre as prioridades estão a conclusão e ativação dos hospitais regionais, a redução das filas por atendimento especializado, investimentos no ensino médio e a revisão das condições da dívida de Minas com a União.
É a partir dessas diretrizes que o Agora dá sequência à série especial que apresenta o plano de governo dos principais candidatos ao Palácio Tiradentes, mostrando as propostas de cada candidatura para áreas que impactam diretamente a vida dos mineiros.
De Belo Horizonte para Minas
Empresário e dirigente esportivo antes de entrar na política, Kalil ganhou projeção nacional como presidente do Atlético. Em 2016, foi eleito prefeito de Belo Horizonte e permaneceu no cargo até 2022, quando deixou a administração municipal para disputar o Governo de Minas.
Na eleição daquele ano, foi derrotado por Romeu Zema (Novo). Agora, retorna à disputa pelo PDT, tendo Carlos Mosconi (PSDB) como candidato a vice-governador.
Para a construção do novo plano, Kalil reuniu especialistas que participaram de sua gestão na capital mineira. Entre eles estão o médico Jackson Machado Pinto, ex-secretário municipal de Saúde; a professora e pesquisadora Ângela Dalben, ex-secretária de Educação; e o sociólogo Cláudio Beato, especialista em segurança pública.
A estratégia, segundo o candidato, é basear as decisões em equipes técnicas e nas particularidades das diferentes regiões de Minas.
Saúde e educação
Na saúde, uma das principais apostas é a ativação dos hospitais regionais e uma maior integração entre as unidades filantrópicas, universitárias e os consórcios intermunicipais. O plano também prevê fortalecimento da atenção primária, ampliação da telessaúde e ações para reduzir a espera por consultas, exames e cirurgias.
Kalil também propõe reforçar a estrutura de atendimento no interior, ampliar o acesso a médicos e melhorar a distribuição dos serviços de saúde entre as regiões.
Na educação, o candidato defende investimentos na valorização e formação continuada dos profissionais, além de atenção especial ao ensino médio. A proposta prevê ampliar modelos de educação em tempo integral, mas com formatos que considerem as diferentes necessidades dos estudantes.
Segurança e proteção social
Na segurança pública, a candidatura defende maior integração entre os órgãos, valorização dos profissionais e fortalecimento das ações de prevenção.
A proposta também relaciona o combate à criminalidade a políticas sociais. A ideia é desenvolver ações específicas em regiões marcadas por altos índices de violência, com iniciativas voltadas ao desenvolvimento econômico, prevenção e atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Dívida e benefícios fiscais
Um dos principais desafios apontados por Kalil é a situação financeira de Minas Gerais. O candidato defende a revisão das condições de pagamento da dívida com a União e afirma que pretende buscar mudanças nos juros, prazos e regras do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, o Propag.
Outra proposta é revisar os benefícios fiscais concedidos pelo Estado. Kalil defende maior transparência sobre as empresas beneficiadas e suas contrapartidas, além da revisão de incentivos que, segundo a campanha, não apresentem resultados comprovados.
Polêmica sobre o plano
Apesar de defender que o programa foi construído com a participação de especialistas e após reuniões semanais, Kalil protagonizou uma das polêmicas do primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Minas.
Questionado por Gabriel Azevedo (MDB) sobre propostas para trabalhadores de aplicativos, o ex-prefeito afirmou que não havia lido integralmente o próprio plano.
— Que bom que você leu meu programa. Eu, particularmente, não li. Só li o resumo — respondeu.
Kalil afirmou que tem se dedicado a estudar o Estado e conversar diretamente com a população. A declaração repercutiu justamente porque o documento apresentado à Justiça Eleitoral reúne 147 páginas de propostas.
Disputa
Na pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira, 25, Kalil aparece com 10% das intenções de voto. O candidato está tecnicamente empatado com Patrus Ananias (PT), que tem 11%, enquanto Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera com 29%.
Mateus Simões (PSD) aparece com 7%, seguido por Gabriel Azevedo (MDB), com 5%. A pesquisa ouviu 1.506 eleitores e tem margem de erro de três pontos percentuais.
Série especial
A reportagem dá sequência à série do Agora sobre o plano dos principais candidatos ao Governo de Minas. A sequência foi iniciada com Cleitinho Azevedo e, na edição anterior, apresentou as propostas do atual governador, Mateus Simões.
Nas próximas edições, o jornal continuará detalhando os projetos dos demais concorrentes ao Palácio Tiradentes, sempre a partir dos planos de governo apresentados pelas próprias candidaturas e das posições defendidas durante a campanha.
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