Febre maculosa volta a preocupar em Minas

Da Redação
A febre maculosa voltou a chamar a atenção em Minas Gerais em 2025, com registros confirmados em várias cidades do estado. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) informou que, entre janeiro e 19 de setembro, foram notificados 27 casos da doença. As duas únicas mortes confirmadas ocorreram em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde o município decretou situação de emergência em saúde pública. Divinópolis não apresentou nenhuma confirmação neste ano.
Belo Horizonte
A Secretaria Municipal de Saúde confirmou quatro casos em Belo Horizonte neste ano. Três pacientes se infectaram em outros municípios, e apenas um adquiriu dentro da capital. Nenhuma morte foi registrada. A secretaria destacou que mantém vigilância epidemiológica contínua e promove ações de conscientização para reduzir os riscos da doença. Segundo a pasta, os profissionais da rede SUS-BH estão preparados para identificar e atender casos suspeitos.
Apesar da confirmação municipal, a SES-MG aponta cinco registros da doença em Belo Horizonte. A divergência ocorre porque os dados do governo estadual consideram o município de residência do paciente, e não necessariamente o local provável de infecção.
Caeté
O município viveu o episódio mais grave em 2025. Dois moradores morreram neste mês, após laudos emitidos pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) confirmarem a febre maculosa. Segundo a secretaria local de Saúde, as vítimas apresentaram sintomas semelhantes e residiam na mesma região. Com a situação, a prefeitura decretou emergência em saúde pública e distribuiu o medicamento específico contra a doença nas farmácias do município.
A SES-MG ressaltou que, embora as mortes tenham ocorrido em Caeté, ainda não é possível confirmar que a infecção tenha acontecido na cidade. A investigação epidemiológica segue sob responsabilidade das equipes municipais.
Minas Gerais
Além de Belo Horizonte e Caeté, os registros em 2025 também abrangem outras cidades mineiras. Foram confirmados quatro casos em Itabira e três em Santa Luzia. Também tiveram notificações municípios como Bambuí, Betim, Boa Esperança, Contagem, Itueta, Lagoa Santa, Ouro Preto, Paracatu, Serranópolis de Minas, Serro, Varginha, Vespasiano e Volta Grande, cada um com um caso.
A evolução da doença preocupa pelo histórico recente. Em 2024, Minas Gerais confirmou 95 ocorrências, número superior aos 90 de 2023 e aos 27 de 2022. Apesar do aumento de casos, houve queda no número de mortes: quatro em 2024, contra 20 em 2023 e seis em 2022.
Divinópolis
Em Divinópolis, até 11 de agosto, nenhum caso havia sido confirmado; oito foram descartados e dois permanecem em análise. No ano passado, a cidade também enfrentou um cenário preocupante: foram 49 casos notificados, nove confirmados e uma morte registrada. O óbito ocorreu em agosto, quando um homem de 46 anos morreu após contrair a doença, com provável infecção em sua residência.
No mesmo ano, o Parque da Ilha foi fechado em julho para desinfecção após a identificação de carrapatos na área. A medida foi anunciada pela vice-prefeita Janete Aparecida, que destacou a necessidade de preservar a segurança dos frequentadores. O espaço só foi reaberto após os procedimentos de limpeza e a diminuição da incidência do carrapato-estrela, transmissor da doença.
O histórico de interdições no local não é recente. Em agosto de 2018, ano em que foram registradas quatro mortes pela doença, o Parque da Ilha também foi fechado devido à incidência da doença e só voltou a funcionar em janeiro de 2019, após ações de limpeza e monitoramento da área.
Doença
A febre maculosa é causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida ao ser humano pela picada do carrapato-estrela infectado. A espécie Amblyomma cajennense, transmissora da doença, pode ser encontrada em animais de grande porte (bois, cavalos, etc.), cães, aves domésticas, gambás, coelhos e especialmente, na capivara.
Para haver transmissão da doença, o carrapato infectado precisa ficar pelo menos quatro horas fixado na pele das pessoas. Os carrapatos mais jovens e de menor tamanho são os mais perigosos, porque são mais difíceis de serem vistos. Não existe transmissão da doença de uma pessoa para outra.
Sintomas
A doença começa de forma repentina com um conjunto de sintomas semelhantes aos de outras infecções: febre alta, dor no corpo, dor da cabeça, falta de apetite e desânimo. Depois, aparecem pequenas manchas avermelhadas que crescem e tornam-se salientes. Essas lesões, parecidas com uma picada de pulga, às vezes, apresentam pequenas hemorragias sob a pele; aparecem em todo o corpo e também na palma das mãos e na planta dos pés, o que em geral não acontece nas outras doenças como sarampo, rubéola, dengue hemorrágico, por exemplo.
Os sintomas levam em média de sete a dez dias para se manifestar e a partir daí, o tratamento deve ser iniciado dentro de no máximo cinco dias. Após este período, há sérios riscos de que os medicamentos não surtam mais o efeito desejado.
Tratamento
A febre maculosa brasileira tem cura desde que o tratamento com antibióticos seja introduzido nos primeiros dois ou três dias. O ideal é manter a medicação por dez a quatorze dias, mas logo nas primeiras doses o quadro começa a regredir e evolui para a cura total. Atraso no diagnóstico e, consequentemente, no início do tratamento pode provocar complicações graves, como o comprometimento do sistema nervoso central, dos rins, dos pulmões, das lesões vasculares e levar ao óbito.
Prevenção
A prevenção é a forma mais eficaz de combate à doença. O Ministério da Saúde orienta a adoção das seguintes medidas:
- Usar roupas de manga comprida e calças, preferencialmente de cor clara, além de calçados fechados e meias de cano longo em áreas arborizadas ou gramadas;
- Aplicar repelentes à base de icaridina;
- Examinar o corpo após passeios em locais com vegetação alta, retirando imediatamente carrapatos encontrados com o auxílio de pinças;
- Evitar esmagar o parasita ao removê-lo;
- Lavar a região da picada com álcool ou sabão e água;
- Manter áreas públicas e terrenos limpos para reduzir a proliferação de carrapatos;
- Utilizar carrapaticidas em animais domésticos e de criação, conforme orientação veterinária.
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