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Execução após audiência  no Fórum choca e confirma o aumento da cilinalidade violenta

Execução após audiência  no Fórum choca e confirma o aumento da cilinalidade violenta

Elian Ozéias

Mais um inicio de semana violento em Divinópolis terminou com um assassinato brutal nas ruas da cidade nesta segunda-feira, 22. Phelipe Junio Carvalho Assulino, de 25 anos, conhecido como “Felipin”, foi executado a tiros após sair de uma audiência no Fórum da cidade. O crime aconteceu por volta das 14h, no bairro Jardim Nova América, e foi testemunhado por familiares da vítima que estavam dentro do veículo com ele. A execução elevou para 39 o número de homicídios registrados no município. 

Detalhes do crime

De acordo com a Polícia Militar (PM), Phelipe havia deixado o Fórum acompanhado do avô, da irmã e da sobrinha. Eles estavam em um Gol prata quando passaram a ser seguidos por um Fox da mesma cor. A perseguição culminou em uma colisão. Phelipe desceu do carro e foi surpreendido por três homens encapuzados que efetuaram diversos disparos.

— Constatamos pelo menos seis perfurações no corpo da vítima, que morreu no local — relatou o capitão da PM Reginaldo Sales.

Segundo o capitão, ele estava em liberdade desde 24 de agosto e compareceu ao Fórum para uma audiência relacionada aos crimes pelos quais respondia. 

— Phelipe era “muito conhecido no meio policial” e acumulava uma ficha extensa. Tinha passagens por tráfico de drogas, homicídio, roubo, corrupção de menores, ameaça, desobediência, entre outros crimes — revelou. 

A execução, embora violenta, não surpreendeu a família. 

— Os familiares chegaram a nos dizer que já esperavam que isso acontecesse — afirmou Sales. 

A polícia trabalha agora para identificar os autores e pede que a população colabore com informações por meio dos números 190 ou 181.

Histórico violento

A ficha criminal de Phelipe Assulino soma ao menos 46 ocorrências. Ele era acusado de liderar uma série de assaltos violentos em Carmo do Cajuru e na região Centro-Oeste, incluindo o ataque a um posto de combustíveis e o roubo a uma propriedade rural, onde idosos foram agredidos e submetidos à tortura psicológica.

Entre os crimes atribuídos a ele estão receptação de veículos, porte ilegal de armas, uso de moeda falsa, latrocínio e envolvimento em homicídios relacionados a disputas entre facções dos bairros Nações e Campina Verde, em Divinópolis. Um dos casos mais graves foi o latrocínio registrado em Carmo do Cajuru, em 2017.

Outro crime no mesmo dia

Horas antes, outro episódio de violência foi registrado na cidade. Um homem de 58 anos foi baleado no peito na comunidade do Córrego do Paiol. Segundo informações do Samu, ele foi socorrido por terceiros até a UPA e, posteriormente, transferido em estado estável para o Complexo de Saúde São João de Deus. A Polícia Militar prendeu o suspeito da tentativa de homicídio horas depois, e ele permanece à disposição da Justiça.

Juventude no alvo da violência

Com o caso de segunda-feira, Divinópolis atinge uma marca preocupante: 39 homicídios em 2025, sendo 26 com vítimas com menos de 30 anos. A faixa etária mais atingida é justamente a dos 25 anos, idade de Phelipe, com nove assassinatos.

O mês de setembro, ainda em curso, já contabiliza sete homicídios. Se a tendência continuar, os dados de 2025 podem ultrapassar os de anos anteriores, revelando uma escalada que desafia as forças de segurança e as políticas públicas.

MêsHomicídios (2025)Homicídios (2024)
Janeiro20
Fevereiro62
Março54
Abril21
Maio62
Junho34
Julho31
Agosto42
Setembro*76 (mês inteiro)

Dados até 23 de setembro.

Além dos homicídios consumados, já são 14 tentativas registradas.

Sociedade como engrenagem falha

Para o cientista social Genival Souza Bento Júnior, doutorando da UFMG, a violência não é um fenômeno isolado, mas reflexo da falência de várias instituições sociais.

— A violência funciona como uma das engrenagens da sociedade. Quando instituições como escola, família e Estado falham, o crime se torna uma alternativa viável — analisa. 

Ele ressalta ainda que a desigualdade social, o desemprego e a ausência de políticas públicas eficazes contribuem para a normalização da violência, especialmente entre os jovens.

— O crime já não é mais um tabu. Ele é visto por muitos como um caminho possível. Isso se reflete na naturalização dos assassinatos, que agora ocorrem até mesmo próximo ao Fórum ou a quartéis da polícia, sem que os autores se preocupem com as consequências — conclui.

Investimento e prevenção

Especialistas alertam que o combate à violência não pode se limitar ao aumento do efetivo policial. Segundo eles, é preciso pensar em soluções integradas, que envolvam educação, inclusão social, reestruturação das instituições e oportunidades reais de renda.

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