Governo lança programa contra facções e reforça ofensiva ao crime organizado

Lucas Maciel
O Governo Federal lançou nesta terça-feira, 12, o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, iniciativa que prevê investimentos de R$ 11 bilhões para ampliar o combate às facções criminosas e fortalecer ações de segurança pública em todo o país. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Planalto, em Brasília, em meio a uma série de operações integradas realizadas simultaneamente em diversos estados, incluindo Minas Gerais.
O pacote prevê R$ 1 bilhão em recursos diretos do Orçamento da União e outros R$ 10 bilhões em financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinados aos estados. A proposta foi construída em conjunto com governos estaduais, especialistas e forças de segurança pública.
Segundo o governo federal, o objetivo é atingir as bases econômicas, operacionais e financeiras das organizações criminosas, consideradas atualmente uma das principais preocupações da segurança pública nacional.
Quatro frentes
O programa será estruturado em quatro eixos estratégicos. Entre eles estão a asfixia financeira das facções criminosas, o fortalecimento da segurança no sistema prisional, a qualificação das investigações de homicídios e o combate ao tráfico de armas.
Durante entrevista concedida na última semana, Lula afirmou que o foco principal será enfraquecer financeiramente as organizações criminosas.
— Nós precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções. Eles hoje viraram, em alguns casos, empresas multinacionais. Estão em vários países, no futebol, na política e no meio empresarial — declarou.
O programa deverá ser oficializado por meio de decreto presidencial e quatro portarias federais. Os estados precisarão aderir formalmente às medidas para ter acesso aos financiamentos e recursos disponibilizados pelo BNDES.
Operações em todo o país
O lançamento do programa ocorreu simultaneamente à deflagração da Operação Força Integrada II, coordenada pela Polícia Federal em conjunto com forças estaduais e municipais de segurança pública.
A ação mobilizou operações em 16 estados brasileiros, com foco no combate ao tráfico de drogas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e atuação de facções criminosas.
Ao todo, foram expedidos 165 mandados de busca e apreensão e 71 mandados de prisão em estados como Minas Gerais, Ceará, Rio de Janeiro, Paraná, Espírito Santo, Rondônia, Maranhão e Santa Catarina.
As ações são conduzidas pelas chamadas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), estruturas formadas pela integração entre Polícia Federal, polícias civis, militares, penais, Polícia Rodoviária Federal, guardas municipais e secretarias estaduais de segurança pública.
Segundo o Ministério da Justiça, atualmente existem 39 unidades das FICCOs espalhadas pelo país.
Minas no centro das ações
Minas Gerais esteve entre os estados com maior número de operações realizadas nesta terça-feira.
Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, as operações “Paper Stone” e “Rota Andina” investigam organizações criminosas envolvidas com tráfico interestadual e internacional de drogas, além de lavagem de dinheiro.
As investigações apontam o uso de logística aérea sofisticada, empresas de fachada e ocultação patrimonial para movimentação de recursos ilícitos.
Ao todo, foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão, 22 mandados de prisão e 26 medidas relacionadas à apreensão de veículos em cidades de Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Maranhão e São Paulo.
A Justiça também determinou o sequestro de aproximadamente R$ 98 milhões em bens e patrimônios ligados aos investigados.
Já em Poços de Caldas, no Sul de Minas, a Operação Guardiões do Fogo apura obtenção ilegal de registros de CACs — categoria destinada a colecionadores, atiradores esportivos e caçadores. Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão.
Em Governador Valadares, a Operação Rota Paralela investiga crimes ligados à promoção de migração ilegal e movimentações financeiras suspeitas. As medidas judiciais incluem bloqueios patrimoniais que podem chegar a R$ 6,8 milhões por investigado.
Prisões e drogas apreendidas
Além das operações desta terça-feira, as forças integradas divulgaram balanço nacional das ações realizadas entre os dias 4 e 10 de maio.
Segundo a Polícia Federal, foram apreendidos 731 quilos de drogas em diferentes estados brasileiros, além de 33 prisões efetuadas e 42 mandados de busca e apreensão cumpridos.
Entre os entorpecentes apreendidos estão cocaína, maconha, skunk e haxixe. Também houve apreensões de armas de fogo, munições, veículos e celulares utilizados por organizações criminosas.
Em Minas Gerais, uma das ações realizadas pela FICCO resultou na prisão de quatro suspeitos ligados ao tráfico de drogas em Governador Valadares, Sardoá, Galileia e Belo Horizonte. Foram apreendidas armas, munições e aparelhos celulares.
Cenário regional
O avanço das operações nacionais ocorre em meio à divulgação de indicadores que mostram redução da criminalidade violenta em cidades do interior mineiro, incluindo Divinópolis.
Dados do 23º Batalhão da Polícia Militar apontam queda superior a 50% em crimes violentos no primeiro quadrimestre de 2026, incluindo homicídios, roubos e crimes contra o patrimônio.
Segundo a Polícia Militar, parte dos resultados está relacionada à intensificação de operações preventivas, abordagens e ações voltadas ao combate ao tráfico de drogas e à circulação ilegal de armas.
Ao mesmo tempo, autoridades reforçam que o cenário ainda exige atenção diante da atuação de organizações criminosas em diferentes regiões do estado e da continuidade de crimes violentos registrados ao longo do ano.
Integração das forças
O Ministério da Justiça destacou que um dos principais objetivos das FICCOs é justamente ampliar o compartilhamento de informações e integrar o trabalho das diferentes forças de segurança pública.
A proposta também está ligada à PEC da Segurança Pública, atualmente em tramitação no Senado, que prevê fortalecimento da atuação conjunta entre União, estados e municípios no enfrentamento ao crime organizado.
Segundo o governo federal, a expectativa é ampliar a capacidade de investigação, sufocar financeiramente facções criminosas e reduzir o poder de articulação das organizações em todo o território nacional.
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