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Política

Greve geral já conta com 16 sindicatos em Divinópolis

Por Portal Agora
Greve geral já conta com 16 sindicatos em Divinópolis

Flávio Roberto Pinto

Dezesseis sindicatos com representações em Divinópolis e região decidiram aderir à paralisação geral marcada para a próxima sexta-feira, dia 28, em todo o país. O principal objetivo da mobilização é protestar contra a reforma da Previdência proposta pelo presidente Michel Temer (PMDB).

Em Divinópolis, a luta contra a proposta resultou na formação do Movimento Sindical Unificado, em fevereiro.  Para o grupo, é preciso chamar atenção da população para os “devastadores efeitos” da Proposta da Emenda Constitucional (PEC 287/2016). Já o governo alega que, se o projeto não for aprovado, em alguns anos, não será mais possível pagar as aposentadorias.

A greve geral de sexta-feira foi marcada pelas centrais sindicais. Tem por objetivo ainda protestar contra a corrupção e a reforma trabalhista. Em Divinópolis, o ato será marcado por uma grande concentração, às 15h, na praça da Catedral. Depois, haverá uma caminhada pelas principais ruas do Centro.

Mobilização

O Movimento Sindical Unificado se reúne toda segunda-feira e acredita que somente a mobilização popular pode impedir o governo de aprovar “uma medida extremamente danosa para a classe trabalhadora”. É o que explica o diretor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram), Alberto Gigante Quadros.

Na opinião do sindicalista, “não é preciso ser um especialista em Previdência, para saber que o governo quer cobrar do cidadão uma conta cuja responsabilidade é do próprio governo e da corrupção que vem saqueando os cofres públicos nos últimos anos”.

— O trabalhador, que já paga uma das mais altas cargas tributárias do mundo, também paga um preço muito alto pela irresponsabilidade política e mais uma vez o governo quer jogar mais essa para o cidadão — afirma.

O perigo, segundo o sindicalista, é que, se o trabalhador não se mobilizar agora, a reforma da Previdência será aprovada e “depois não há como remediar o grande prejuízo com os cortes de direitos adquiridos”.

Pressão e recuo

Sob pesadas críticas, o Governo Federal começou a recuar e aceitou mudar alguns pontos da reforma. Três importantes entidades – Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Conselho Federal de Economia (Confecon) – já se declararam contra a proposta.

Na semana passada, o relator da Reforma da Previdência, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), apresentou seu relatório, com algumas mudanças em relação ao texto original. Fixou-se a idade mínima de aposentadoria em 62 anos para as mulheres e em 65 anos para os homens após um período de transição de 20 anos. Com isso, o aumento seria progressivo, começando em 53 e 55 anos, respectivamente, na data da promulgação da emenda.

O relatório mantém em 25 anos o tempo mínimo de contribuição para acesso aos benefícios. Segundo deputados da oposição, esse ponto dificulta as aposentadorias de pessoas de mais baixa renda que costumam se aposentar por idade com os 15 anos de contribuição atuais. De acordo com nota do Sintram, o benefício será igual a 70% da média de salários, o que é maior que os 51% propostos no texto original. Após 25 anos de contribuição, cada ano seria contado a mais, possibilitando a obtenção de 100% da média aos 40 anos de contribuição e não aos 49 como antes.

Alberto Gigante considera as mudanças tímidas e que pouco vão alterar o resultado final da proposta.

— O que mudou ainda é muito insignificante diante do tamanho do estrago para todos os trabalhadores que a proposta vai produzir. Por isso, a mobilização precisa continuar, até que se chegue a um texto que não seja tão danoso para o trabalhador — afirma.

Apoio da igreja

A Igreja Católica de Divinópolis declarou apoio oficial ao Movimento Sindical Unificado. Em reunião com representantes do grupo, o bispo Dom José Carlos Souza Campos reafirmou a posição contrária da instituição religiosa às regras contidas na proposta do governo. Segundo Alberto Gigante, o bispo estará em viagem na sexta-feira, mas enviará uma representação ao ato.

Sindicatos participantes

O Movimento Sindical Unificado é composto pelas seguintes entidades: Sindicato dos Auxiliares de Administração do Estado de Minas Gerais (Saae/MG); Sindicato dos Bancários; Sindicato dos Comerciários (Sindcomércio); Sindicato dos Empregados em Turismo e Hospitalidade de Divinópolis (SetDiv);  Sindicato dos Enfermeiros e Profissionais de Saúde (Sindess); Sindicato dos Metalúrgicos de Divinópolis (SindiMetal);  Sindicato dos Professores da Rede Particular (Sinpro);  Sindicato dos Rodoviários (Sintrodiv);  Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Municipal de Divinópolis (Sintemmd); Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais (Sindieletro/MG); Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis (Sintram); Sindicato Único dos Professores da rede estadual (SindUTE); Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil; Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Divinópolis; Sindicato dos Trabalhadores do Meio Ambiente (Sindsema); além da União Estudantil de Divinópolis (UED).

 

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