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Greve nos Correios atinge Minas e mais oito estados após impasse em negociações 

Greve nos Correios atinge Minas e mais oito estados após impasse em negociações 

Da Redação 

Os trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado em Minas Gerais e em outros oito estados, após a aprovação da paralisação por sindicatos da categoria. A mobilização começou na noite de terça-feira, 16, e ocorre em meio a um impasse nas negociações salariais e de benefícios entre os empregados e a estatal.

A paralisação foi aprovada por sindicatos em Minas Gerais, Mato Grosso, Ceará, Paraíba, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em São Paulo, maior base de trabalhadores dos Correios no país, o movimento também foi aprovado, mesmo com orientação contrária da direção sindical. Ao todo, 12 sindicatos, distribuídos em nove estados, iniciaram a greve, enquanto outros 24 permanecem em estado de greve, com indicativo de paralisação a partir do dia 23.

Motivações 

A greve foi deflagrada em protesto contra medidas adotadas pela administração dos Correios e pela ausência de um acordo coletivo que contemple reajuste salarial e manutenção de direitos. Entre os pontos questionados pelos trabalhadores estão mudanças no plano de saúde e o fim de benefícios previstos no atual Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), como o adicional de 70% sobre as férias.

Segundo o secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), Emerson Marinho, a paralisação é resultado da condução da administração da estatal diante da crise financeira enfrentada pela empresa. De acordo com ele, decisões têm sido tomadas sem a participação efetiva dos trabalhadores, o que teria ampliado o desgaste nas relações entre as partes.

Embora o indicativo inicial da categoria previsse o início da greve no dia 23, algumas entidades decidiram antecipar a paralisação como forma de sinalizar insatisfação ao governo. Os sindicatos que ainda não aderiram mantêm o indicativo, condicionado às propostas que venham a ser apresentadas pela estatal.

Mediação no TST

O impasse entre as partes está sendo discutido sob mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST), após a estatal acionar a Corte na última quinta-feira, 11, diante da dificuldade de avanço nas negociações. A empresa solicitou a flexibilização de cláusulas do acordo coletivo que garantem benefícios acima do mínimo previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Em nota enviada ao Agora, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) apresentou, na quarta-feira, 17, proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025/2026 dos Correios.

Após audiências de mediação, a Corte propôs um acordo com vigência de dois anos que preserva benefícios e assegura a continuidade, estabilidade e respeito aos empregados, mesmo em um cenário econômico-financeiro desafiador para a empresa. O documento será deliberado nas assembleias das representações dos empregados.

Situação em Minas Gerais

Em Minas Gerais, a greve foi aprovada pelo Sintect/MG e integra o conjunto de paralisações consideradas parciais e localizadas. O estado está entre aqueles com maior concentração de trabalhadores em greve, segundo informações da própria empresa. Apesar da mobilização, os Correios informam que a maioria do efetivo segue em atividade.

A estatal afirma que todas as agências permanecem abertas e que as entregas continuam sendo realizadas em todo o território nacional. De acordo com a empresa, cerca de 90% dos trabalhadores seguiram em suas atividades, nesta quinta-feira, 18, e dos 36 sindicatos que representam a categoria, 24 não aderiram ao movimento.

Crise financeira e reestruturação

A paralisação ocorre em meio à implementação de um plano de reestruturação aprovado pela administração dos Correios em novembro. O plano prevê o fechamento de até mil unidades deficitárias, a criação de um programa de demissão voluntária e a venda de até R$ 1,5 bilhão em imóveis. Também estão previstas mudanças nos benefícios dos trabalhadores que permanecerem na empresa, incluindo a remodelagem dos planos de saúde.

Segundo a administração, o plano foi elaborado após análise da situação financeira e do modelo de negócios da estatal. No primeiro semestre do ano, os Correios registraram um rombo de R$ 4,5 bilhões. A despesa com pessoal deve alcançar R$ 15,1 bilhões neste ano e é apontada como um dos principais desafios para a recuperação financeira da empresa, que busca empréstimos para viabilizar o plano de reestruturação.

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