Mais de 30% de quem pretende ir às compras no Natal possui contas em atraso

Da Redação
Com a chegada do fim do ano, período tradicionalmente marcado por confraternizações, troca de presentes e celebrações em família, o orçamento de milhões de brasileiros entra em estado de alerta. A combinação entre o desejo de presentear, as festas de Natal e Réveillon e a pressão social típica dessa época pode levar muitos consumidores a extrapolarem seus limites financeiros, agravando ainda mais situações de endividamento já existentes.
Cuidados
Neste sentido, especialistas recomendam o cuidado com os gastos em especial para quem já enfrenta dificuldades financeiras.
— Compras por impulso, parcelamentos longos e o uso excessivo do cartão de crédito podem transformar a alegria momentânea das festas em preocupação nos primeiros meses do ano seguinte, quando chegam despesas como impostos, material escolar e contas acumuladas — alerta o economista Lazaro Ribeiro.
Pesquisa
A mostra da realidade é refletida em uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise, nas 27 capitais do país, e reforça esse cenário de atenção. De acordo com o levantamento, 33% dos consumidores que pretendem comprar presentes neste fim de ano possuem contas em atraso. O dado se torna ainda mais preocupante ao revelar que, dentro desse grupo, 72% estão com o nome negativado, ou seja, já enfrentam restrições de crédito.
O levantamento aponta também que 22% dos que devem comprar presentes no Natal costumam gastar mais do que podem, sobretudo, os mais jovens, e que 9% pretendem deixar de pagar alguma conta para adquirir os presentes, desta forma estima-se que 14,8 milhões de consumidores fiquem inadimplentes em seus compromissos financeiros devido às compras para a data. De acordo com os entrevistados, 10% devem deixar de pagar alguma conta para participar das festas de Natal e 11% farão o mesmo para participar das comemorações de Ano Novo.
De acordo com os consumidores, as principais contas que deixarão de ser pagas para comprar presentes de Natal ou participar das festas de fim de ano são: internet (17%), conta de água/luz (11%), financiamento da casa (10%), telefone (10%), mensalidade escolar (9%) e TV por assinatura (9%).
O presidente da CNDL, José César da Costa, alerta para a importância de o consumidor evitar o excesso de gastos para não comprometer o orçamento familiar.
— Os dados da nossa pesquisa acendem um forte sinal de alerta para o planejamento financeiro das famílias. O impulso de consumo dessa época, embora compreensível, carrega o risco de agravar o endividamento. É fundamental que, ao celebrar, o consumidor mantenha um controle rigoroso do seu orçamento. A virada do ano traz uma leva de gastos extras, como IPVA, IPTU e material escolar — orienta Costa.
Inadimplentes
A pesquisa também revela um dado preocupante sobre os impactos das compras de fim de ano na vida financeira dos brasileiros. Segundo os dados, 22% dos consumidores que realizaram compras de presentes de Natal em 2024 acabaram ficando com o nome negativado em decorrência de dívidas em atraso.
O resultado evidencia como o consumo impulsionado pelo período natalino pode ultrapassar a capacidade de pagamento de muitas famílias, especialmente em um cenário de renda apertada e acúmulo de compromissos financeiros. Muitas vezes, a tentativa de manter tradições e agradar familiares e amigos leva ao uso excessivo do crédito, sem um planejamento adequado.
Ainda de acordo com a pesquisa, o valor médio das dívidas em atraso desses consumidores é de R$ 1.084. Embora, à primeira vista, o montante possa parecer relativamente baixo, ele representa um peso significativo no orçamento mensal, dificultando o pagamento de contas básicas e limitando o acesso ao crédito no início do ano seguinte.
Especialistas reforçam que a principal forma de evitar esse tipo de situação é o controle rigoroso dos gastos, a definição de prioridades e a avaliação da real necessidade das compras.
— O fim de ano deve ser um momento de celebração, mas sem que isso resulte em prejuízos financeiros duradouros, que podem comprometer a estabilidade econômica das famílias ao longo de todo o ano seguinte — pontua Ribeiro.
Ticket médio
E mesmo diante de indicadores que apontam tanto otimismo quanto preocupação com a situação financeira das famílias, a pesquisa mostra que o espírito natalino segue forte entre os brasileiros. Conforme o levantamento, 98% dos entrevistados afirmaram que pretendem celebrar o Natal neste ano, reforçando a importância cultural e afetiva da data.
Apesar das restrições no orçamento e do cenário de endividamento enfrentado por parte da população, o desejo de reunir familiares e manter as tradições permanece como prioridade. A ceia ou o almoço do dia continuam sendo o centro das comemorações, mesmo que, para muitos consumidores, seja necessário adaptar o cardápio e buscar alternativas mais econômicas.
Os dados da pesquisa, mostram também que o consumidor brasileiro deve gastar, em média, R$ 338 com os preparativos da ceia ou do almoço natalino.
— O desafio está em equilibrar a vontade de comemorar com a responsabilidade financeira, garantindo que a confraternização não se transforme em um peso para o orçamento nos meses seguintes — orienta o presidente da CNDL.
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