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Editorial

Irresponsabilidade mata

Por Redação Jornal Agora · Redação· 3 min de leitura
Irresponsabilidade mata

Um bebê de nove meses ficou sem os pais depois de um acidente na MG-252, em Perdigão. O casal morreu após uma colisão frontal, e a criança, ferida, precisou passar por um procedimento médico. O quadro clínico é estável, segundo as informações divulgadas, mas nenhuma recuperação física apaga a dimensão de uma tragédia que acompanhará essa família por toda a vida.

A Polícia Civil investiga as circunstâncias do acidente, ocorrido na manhã de domingo, 11. Segundo a Polícia Militar Rodoviária, um Honda Civic teria invadido a contramão em uma curva e atingido um Volkswagen Gol, onde estava a família. O motorista do Civic é investigado por possível homicídio culposo na direção de veículo automotor.

A gravidade do caso aumenta diante de vídeos que circulam na internet e que supostamente mostrariam o condutor consumindo bebida alcoólica horas antes da colisão. O conteúdo, contudo, precisa ser verificado, e a investigação deverá esclarecer se houve consumo de álcool, quais foram as circunstâncias do acidente e se existe relação entre esses fatores. Não cabe antecipar conclusões que dependem da apuração.

Mas a necessidade de cautela não impede uma reflexão urgente: quem assume o volante depois de beber não coloca apenas a própria vida em risco. Coloca também a vida de pessoas que não fizeram essa escolha.

A estrada é compartilhada por famílias, trabalhadores e pessoas que simplesmente precisam chegar ao seu destino. Nenhuma delas deveria ter de pagar com a própria vida pela decisão de outra pessoa de dirigir sem condições seguras. Quando essa possibilidade se transforma em tragédia, não estamos diante de um risco abstrato, mas de consequências que atingem famílias inteiras.

Se a investigação confirmar que o álcool esteve associado à condução, o caso da MG-252 será mais um a entrar nas estatísticas. Beber e dirigir não é um gesto restrito à esfera individual. É uma decisão que pode retirar vidas, deixar crianças órfãs e impor a familiares uma perda que não pode ser reparada.

O caso também expõe uma realidade que não pode ser ignorada: o acidente não termina quando os veículos são retirados da pista ou quando a ocorrência deixa de ocupar o noticiário. O bebê sobreviveu e apresenta quadro estável, mas perdeu os pais. Sua recuperação exigirá cuidados, acolhimento e uma rede de apoio. A estabilidade clínica é uma notícia importante; não significa que as consequências da tragédia tenham terminado.

É por isso que a prevenção precisa ser levada a sério. Não basta conhecer os riscos do álcool ao volante. É necessário agir de acordo com esse conhecimento, recusar a direção após o consumo de bebida e impedir que a imprudência seja tratada como algo banal. Fiscalização e responsabilização são importantes, mas evitar que a colisão aconteça deve ser a prioridade.

A investigação também precisa esclarecer os fatos com rigor. Se houver responsabilidade criminal, ela deverá ser estabelecida conforme as provas e a legislação. A gravidade das consequências exige apuração, não condenação antecipada. Justiça e responsabilidade não se constroem com suposições, mas com evidências.

Enquanto isso, permanece a realidade mais dolorosa do acidente: duas pessoas morreram, e uma criança terá de crescer sem a presença dos pais. Não há punição capaz de devolver essa convivência nem explicação que torne a perda menos definitiva.


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