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Economia

Leite fica mais caro nos supermercados de Divinópolis

Por Bruno
Leite fica mais caro nos supermercados de Divinópolis

Jorge Guimarães

O mercado de leite em Minas Gerais apresentou um cenário que chamou a atenção de produtores e consumidores no início de 2026. O preço pago ao produtor iniciou o ano, pelo oitavo mês consecutivo, em patamares relativamente baixos, com média próxima de R$ 2,11 por litro em janeiro e fevereiro. O valor representa uma queda de 23,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse valor refletiu, principalmente, pela importação de leite em pó proveniente de países do Mercosul, que acabou pressionando os preços pagos no campo.

Mercado

Entretanto, o que mais causou estranhamento foi o comportamento dos preços para o consumidor final. Mesmo com a manutenção de queda no valor pago ao produtor, o leite continuou sendo vendido a preços altos nas gôndolas dos supermercados. E, para a surpresa de muitos consumidores, o mês de março trouxe novos reajustes nas prateleiras, elevando ainda mais o custo do produto no dia a dia das famílias. Assim, enquanto o produtor recebe menos pelo leite, o consumidor segue pagando caro, um contraste que evidencia os desafios e as complexidades do mercado lácteo brasileiro.

Preços

Consumidores que frequentam supermercados em Divinópolis têm percebido um aumento significativo no preço do leite nas últimas semanas. Nos dois primeiros meses do ano, o litro do leite de caixinha (UHT), nas versões integral, desnatado e semidesnatado, era encontrado com valores variando entre R$ 2,98 e R$ 3,69, dependendo da marca. O mesmo acontecia com o leite em saquinho, que mantinha média de preços semelhante.

No entanto, recentemente, os consumidores passaram a encontrar o mesmo produto sendo comercializado entre R$ 3,79 e R$ 4,39, podendo chegar a R$ 4,99 em algumas marcas. O aumento representa uma alta média de 27% entre os menores preços praticados e cerca de 18% entre os maiores valores.

Consumidores

A dona de casa Maria Aparecida Santos afirma que o impacto já pesa no orçamento familiar.

— Eu sempre compro várias caixas para a semana, porque aqui em casa todo mundo consome leite. Antes eu pagava menos de três reais em algumas promoções. Agora, quando vejo por menos de quatro reais já acho barato — relatou.

O aposentado José Carlos Ferreira também diz ter sentido a diferença no bolso.

— Tudo está subindo, mas o leite chama atenção porque é um item básico. A gente acaba tendo que pesquisar mais e até trocar de marca para economizar — comentou.

Reposição

De acordo com o gerente de supermercado Sérgio Antônio de Oliveira, o aumento tem sido percebido em praticamente todas as marcas. Segundo ele, os reajustes começaram a chegar aos estabelecimentos nas últimas semanas.

— Nos dois primeiros meses do ano os preços estavam bem mais estáveis. Agora recebemos novas tabelas das indústrias e os valores subiram. Isso acontece porque o preço estava muito abaixo, principalmente por causa da importação que estava aberta e não pagava todos os custos do mercado. Agora o setor está se reposicionando — explicou.

Segundo o gerente, mesmo com o impacto para o consumidor, os supermercados acabam tendo que repassar os reajustes.

— Infelizmente o repasse acaba sendo inevitável. A expectativa do setor é de que o mercado encontre um novo ponto de equilíbrio nas próximas semanas, enquanto consumidores seguem atentos às promoções e às variações de preço entre as marcas — concluiu.

Fatores 

Já o economista Lazaro Ribeiro afirma que também diversos fatores podem influenciar no aumento do preço do leite. Entre eles estão custos de produção, transporte e variações na oferta do produto.

— Quando há elevação nos custos para o produtor, como ração, combustível e logística, isso acaba impactando toda a cadeia até chegar ao consumidor. O leite é um produto sensível a essas variações. Por isso vemos aumentos relativamente rápidos no preço final — analisou.

Ainda segundo o economista, o consumidor tende a sentir mais esse tipo de reajuste justamente por se tratar de um item essencial no dia a dia das famílias. 

— Pequenas variações no preço já têm impacto significativo no orçamento, principalmente para quem consome o produto diariamente — pontuou.

Outros segmentos

O recente reajuste no preço do leite também tem gerado reflexos em outros setores do comércio, principalmente em estabelecimentos que utilizam o produto como ingrediente essencial no dia a dia, como padarias, cafeterias, quitandas e lanchonetes. Proprietários desses locais afirmam que a alta do leite acaba impactando diretamente no custo de produção de diversos itens, desde o tradicional café com leite até bolos, pães e vitaminas.

A quitandeira Maria das Dores Silva conta que o leite é um dos produtos mais utilizados na produção das receitas da quitanda.

— Usamos leite em quase tudo: bolo, broa, pudim, vitamina. Quando o preço sobe, a gente sente muito. Fica difícil manter o mesmo valor dos produtos sem diminuir a margem de lucro — explicou.

Em uma padaria da cidade, o gerente Carlos Henrique Souza afirma que o aumento preocupa, principalmente porque o leite faz parte de vários itens do cardápio.

— O café com leite é um dos pedidos mais comuns aqui. Além disso, usamos leite em massas, cremes e recheios. Quando o preço sobe, precisamos rever os custos e, às vezes, fazer pequenos reajustes para conseguir manter o negócio funcionando — afirmou.

Situação semelhante é enfrentada por donos de lanchonetes e cafeterias. A comerciante Juliana Martins, que trabalha com lanches e bebidas, diz que o impacto aparece rapidamente nas contas.

— O leite é base para cappuccino, chocolate quente, vitaminas e outras bebidas. Quando ele aumenta, tudo acaba ficando mais caro para produzir. A gente tenta segurar o preço, mas vai chega uma hora que não tem como — comentou.

Para os consumidores, o reflexo também começa a aparecer no valor final de alguns produtos. A estudante Ana Paula Ferreira afirma que percebeu mudanças nos preços em alguns estabelecimentos.

— Eu gosto muito de tomar café com leite na padaria. Antes era mais barato, agora já aumentou um pouco. A gente entende que tudo está subindo, mas acaba pesando no bolso — disse.

O motorista Roberto Alves também observa que os reajustes acabam chegando ao consumidor final.

— Não é só o leite do supermercado que aumenta. Quando a gente vai tomar um café ou comprar um bolo, percebe que o preço também sobe. Tudo está interligado — comentou.

Com a alta do leite, comerciantes do setor alimentício seguem tentando equilibrar custos e manter os preços acessíveis, enquanto consumidores buscam alternativas e continuam atentos às mudanças nas prateleiras e nos cardápios.

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