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Política

Líderes comunitários defendem presidente da Câmara de acusação

Por Portal Agora
Líderes comunitários defendem presidente da Câmara de acusação

Matheus Augusto

Assuntos não finalizados da reunião ordinária da última semana voltaram a ser retomados ontem, na Câmara. Na quarta-feira, 25, o vereador Matheus Costa (CDN) relatou ter ouvido do presidente Rodrigo Kaboja (PSD), em tom de brincadeira, a oferta de R$ 10 mil para a compra de voto de seu colega, Roger Viegas (Republicanos), para o apoio à Mesa Diretora na próxima legislatura. Horas mais tarde, Kaboja publicou um vídeo cobrando provas da acusação e ameaçando cassar o mandato de Costa. O assunto volta à Casa, não pelos vereadores envolvidos, mas por lideranças comunitárias.

Falta de respeito

Durante a leitura dos documentos, Eduardo Print Júnior (PSDB), que assumiu o posto na Mesa Diretora devido à ausência de três membros ? apenas Renato Ferreira, do mesmo partido, se fez presente ?, detalhou o conteúdo. Os líderes classificaram a fala de Matheus Costa como um desrespeito a Kaboja, seus eleitores e à democracia. 

— A atitude do parlamentar foi grosseira e desrespeitosa — leu Print.

Os responsáveis pelo documento ainda reforçaram a necessidade de cordialidade entre os vereadores, sem ofender os eleitores e o sistema democrático.

— Parece questão pessoal. (...) não vamos transformar a Casa em local de ofensas pessoais — citaram. 

Sobre o fato de Matheus classificar a pré-candidatura do atual presidente da Câmara a deputado como “piada”, eles responderam:

— Cabe ao eleitor decidir se Kaboja será eleito ou não — afirmaram.

Por fim, os responsáveis orientaram o vereador a apresentar suas denúncias aos órgãos competentes e cobraram uma retratação de seu comportamento.

Treze lideranças comunitárias assinaram o documento.

Proteção nas escolas

Após a reunião ser suspensa para a Secretaria de Meio Ambiente apresentar aos vereadores, em particular, um projeto de desburocratização do alvará de construção, o encontro foi retomado. Sem pronunciamentos, os parlamentares avançaram para discussão e aprovação dos quatros projetos em pauta.

O primeiro, escrito por Janete Aparecida (PSC), em parceria com representantes escolares e órgão de segurança, estabelece política pública para a proteção da comunidade escolar ? pública e privada. A intenção é, por meio de aprimoramentos e parcerias, aumentar as medidas de prevenção de crimes e tragédias dentro das salas de aula.

— Se a gente for relembrar, em anos anteriores, a gente teve a tragédia de Suzano [Em março de 2019, dois ex-alunos do colégio Raul Brasil, em São Paulo entraram na unidade e mataram sete pessoas ? cinco alunos e duas funcionárias]. Em Minas, na cidade de Janaúba [Em outubro de 2017, o porteiro da creche ateou fogo na instituição e nele mesmo, causando a morte de 14 pessoas], morreram crianças e a professora que, para salvar as crianças, perdeu sua vida — relembrou.

Diante do cenário de preocupação, Janete citou a necessidade de “atentar para a prevenção”.

— No âmbito das escolas, existem algumas situações que são fáceis de serem modificadas, mas quem tem que ter regras e hoje não existe esse regramento para dar essa segurança

Como medidas, ela citou o impedimento de vendedores entrarem nas escolas para oferecer produtos e a identificação clara de todos os visitantes.

Seu colega de Casa Raimundo Nonato (Avante) parabenizou a vereadora pelo projeto.

— Esse projeto acompanha nossas crianças de perto. (...) A Constituição diz, no artigo 144, que a segurança é dever do Estado e responsabilidade de todos. Toda a comunidade tem que estar envolvida. E, dessa forma, com certeza nossas crianças ficarão mais seguras — afirmou.

Quem também declarou publicamente apoio ao projeto foi Marcos Vinicius (DEM). Segundo ele, a proposta é interessante, necessária e não cria despesas extras para a cidade.

— A gente não pode aguardar uma tragédia, como a gente  acompanha pela grande imprensa nas várias cidades brasileiras, de pessoas desconhecidas, alheias, de má fé, até envolvidas com o crime, que têm acesso facilitado às salas de aulas, às escolas — justificou.

O parlamentar citou que, com a legislação, cria-se um regramento objetivo para, de forma preventiva, evitar “esse tipo de ocorrência que as escolas estão sujeitas”.

Para ele, porém, é preciso cobrar para que as determinações não fiquem apenas no papel. O texto foi aprovado por nove votos favoráveis e nenhum contrário.

De fora

Previsto para ser votado ontem, o projeto de Roger Viegas foi retirado da pauta devido à sua ausência no Plenário. Ele, assim como Ademir Silva (MDB), justificou sua ausência. O vereador alegou uma viagem à Cidade Administrativa para buscar recursos para o esporte em Divinópolis.

Sua proposta (não votada) determina que veículos de segurança particular podem acionar alarmes sonoros apenas das 6h às 23h ? com exceção de quando for constatado pelo condutor a necessidade de prestar socorro ou suspeitar de crime.

Som em bares

Em seguida, entrou em discussão o projeto elaborado pelo atual líder do governo na Câmara, Eduardo Print Júnior. Sua intenção é ampliar o horário para a utilização de música ambiente em bares, lanchonetes e similares para: quintas-feiras, das 18h às 00h; sextas-feiras, sábados e vésperas de feriados, entre 11h e 1h; domingos e feriados, das 11h às 22h. No projeto, ele cita a legislação: “os limites de horário para o período diurno e noturno podem ser definidos pelas autoridades de acordo com os hábitos da população”. Assim, como Divinópolis é uma cidade universitária, com estudantes que “aproveitam as noites que antecedem feriados e fins de semana para se divertirem”, seriam importante para a economia local ampliar o horário de funcionamento de tais estabelecimento, tendo em vista a existência de aulas que terminam após às 22h.

— Esse projeto vem a atender o anseio dos pequenos bares de Divinópolis, porque hoje virou rotina a música ambiente — explicou o autor.

Print ainda defendeu que as situações ilegais, como o som alto, acima dos decibéis permitidos após às 22h, continuarão proibidos.

A primeira a abordar e criticar o projeto foi Janete. Segundo ela, as regras atuais permitem bares e vizinhança conviverem harmoniosamente, e aumentar a flexibilização comprometeria esse ambiente. A vereadora também citou a falta de fiscalização como fator para impedir o cumprimento das novas normas.

— Para quem representou essa Câmara por quatro anos na Acasp [Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública], e antes dos quatro anos eu também estava, a principal reclamação que nós temos é em relação à perturbação de sossego — destacou.

Janete, porém, reconheceu a necessidade de criar condições mais favoráveis ao trabalho dos artistas.

— Os músicos precisam trabalhar, os bares precisam funcionar, mas as vizinhas ao entorno precisam de condição e horário para dormir — reconheceu.

Por isso, ela sugeriu desenvolver a proposta ouvindo os representantes da sociedade civil e da Acasp, para “fazermos isso de forma harmoniosa, sem prejudicar nenhuma das partes”.

Marcos Vinicius apoiou os dois lados, dizendo entender a necessidade de valorizar os profissionais que se apresentam em bares, como fator de geração de emprego e renda, lazer e entretenimento. “Tudo isso eu concordo”, comentou. Mas ele também entende como razoável a preocupação com a consequência para os moradores de regiões com tais estabelecimentos.

— Há um conflito de interesses. Todos legítimos — completou.

Para “discutir um pouco melhor”, o pastor solicitou vistas de 20 dias, acatado pela presidência da Câmara.

Capital alimentícia

Por fim, os vereadores votaram a proposta de Carlos Eduardo Magalhães (Republicanos), que cria o Polo Gastronômico, na rua Itamarandiba, no bairro Bom Pastor, com a “promoção do ordenamento do local, livre trânsito de veículos e transeuntes, harmonia estética, sinalização indicativa dos estabelecimentos participantes, apresentações musicais, poéticas e artísticas, festivais e encontros gastronômicos e culturais, melhoria da iluminação e calçadas, dentre outras ações”.

— Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais — definiu o autor, citando o escritor Guimarães Rosa.

— Eu acredito que o turismo é uma mola propulsora para a retomada da economia, principalmente neste momento que a gente está vivendo agora, que foi um dos primeiros setores a parar, afetando a economia — ressaltou.

Carlos ainda justificou a apresentação do projeto por observar o grande potencial gastronômico de Divinópolis. Para ele, em comparação com outras regiões de Minas Gerais, o Centro-Oeste “não fica para trás”.

— Nosso queijo mineiro foi premiado na França. 50 medalhas — valorizou.

O vereador apontou a chegada de turistas ao estado não apenas pela riqueza cultural, histórica e as belas paisagens, mas também pela gastronomia.

— O que atrai o turista é a nossa culinária. A nossa comida é conhecida internacionalmente. Quem não conhece o feijão tropeiro? O frango com quiabo? Doce de leite? Goiabada? — refletiu. 

Ao apontar o projeto como forma de valorizar o setor, ele solicitou o apoio dos demais colegas.

Próxima vice-prefeita, Janete elogiou a ideia por não criar gastos, cabendo aos responsáveis se organizarem. Como moradora do local, ela citou a expansão da região nos últimos anos.

— Nós realmente temos, da esquina da Itamarandiba da rotatória, subindo até a esquina de cima, em frente à praça dos Tigres, muitos restaurantes — explicou.

A vereadora apontou que “várias ruas podem ser transformadas, de locais referências em qualidade”.

— A gente precisa valorizar isso e referenciar isso para as pessoas que vêm de fora — acrescentando. 

No Executivo a partir do próximo ano, ela destacou a importância de fomentar tais regiões economicamente.

— Fazer que fiquem cada vez mais conhecidas e dê vontade de sair das cidades vizinhas para vir aqui em Divinópolis aproveitar o que temos de melhor — finalizou.

A proposição recebeu 12 votos favoráveis e nenhum contrário.

Sem mais projetos em pauta, a reunião foi encerrada.

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