Likes, vídeos e influenciadores: redes sociais ganham protagonismo no segundo turno
Direita já explorava plataformas antes do pleito e concentrou 57% das interações na primeira semana oficial, contra 30% da esquerda

As redes sociais passaram a ocupar espaço central nas estratégias dos candidatos que disputam as eleições de 2026. No segundo turno da corrida presidencial, marcado para 25 de outubro, as plataformas digitais também se transformaram em instrumentos de mobilização, divulgação de conteúdo e aproximação com os eleitores. Enquanto candidatos e apoiadores da direita já utilizam esse formato de comunicação há mais tempo e apresentam números elevados de engajamento, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a reunir parlamentares e influenciadores para ampliar sua presença no ambiente digital.
A movimentação ocorre depois de Lula terminar o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL), com diferença de 1,87 ponto percentual. A partir do resultado, a campanha petista passou a discutir mudanças na comunicação e uma atuação mais intensa nas redes sociais. Entre as medidas está a aproximação com influenciadores e parlamentares eleitos que possuem grande número de seguidores e experiência na produção de conteúdo para plataformas digitais.
Força dos números
O alcance das redes pode ser observado nos próprios perfis dos dois candidatos. Lula soma 16,3 milhões de seguidores no Instagram, enquanto Flávio Bolsonaro possui 13,5 milhões. Os números, porém, não se limitam ao tamanho das audiências: o desempenho das publicações também passou a fazer parte da estratégia eleitoral.
Um dos exemplos mais recentes ocorreu com Lula. O primeiro vídeo de selfie publicado pelo presidente, após reunião com os influenciadores, teve 25 milhões de visualizações e 2,6 milhões de curtidas. O conteúdo se tornou o vídeo com maior número de visualizações no Instagram de Lula desde 26 de setembro, considerando quase 100 publicações anteriores. Em número de curtidas, também é o vídeo mais curtido do candidato em 2026, com quase 1 milhão de curtidas a mais que o segundo colocado.
Flávio Bolsonaro também apresenta números expressivos. Seu último vídeo gravado no formato selfie registrou 2,2 milhões de curtidas ao abordar a votação na cadeia. O candidato já utilizava esse tipo de produção antes do segundo turno. Outro conteúdo, um corte de seu pronunciamento após as eleições, alcançou 3,4 milhões de visualizações.
Maior engajamento
O desempenho de nomes ligados à direita também aparece entre candidatos eleitos para o Congresso Nacional. Lucas Pavanato, eleito deputado federal, reúne 5,9 milhões de seguidores e apresenta alto nível de engajamento. Nos últimos dias, nenhum dos vídeos publicados por ele teve menos de 100 mil curtidas. O conteúdo inclui cortes de participações em televisão, rádio e podcasts, além de vídeos nos quais analisa e critica a imprensa.
Eduarda Campopiano, eleita deputada estadual, tem 2,6 milhões de seguidores e utiliza um formato semelhante ao de Pavanato. Julia Zanatta, eleita deputada federal, soma 1,1 milhão de seguidores. Embora tenha um engajamento menor que o de outros nomes citados, recentemente alcançou repercussão nacional com um vídeo em que aparece utilizando um chicote.
Os exemplos mostram como políticos eleitos passaram a utilizar suas próprias audiências digitais como parte da comunicação política. Em vez de depender exclusivamente dos canais tradicionais de campanha, os candidatos também produzem vídeos verticais, cortes, selfies, fotografias e conteúdos direcionados diretamente aos seguidores.
Aposta em Ana Elisa
Na esquerda, Ana Elisa passou a ser um dos principais nomes mobilizados para ampliar a presença digital da campanha de Lula no segundo turno. Eleita deputada federal por Minas Gerais com 524.216 votos, aos 21 anos, ela reúne 3 milhões de seguidores no Instagram. As curtidas de suas publicações, no entanto, estão ocultas na plataforma.
A parlamentar eleita se tornou uma referência para a estratégia digital petista justamente por sua atuação nas redes durante a campanha. Ela é acompanhada por outros nomes com presença significativa nas plataformas, como Guilherme Cortez, que possui 890 mil seguidores, e Rosa Amorim, com 251 mil. Os dois utilizam conteúdos em formatos verticais, vídeos de selfie, fotografias e legendas, em uma comunicação semelhante à adotada por Ana Elisa.
A escolha desses nomes ocorre em meio à reorganização da campanha de Lula para o segundo turno. Em 7 de outubro, o presidente reuniu em Brasília parlamentares jovens e influenciadores para discutir a atuação digital. Ana Elisa participou do encontro, ao lado de Erika Hilton, Sâmia Bomfim, Pedro Rousseff e Jones Manoel. A proposta é utilizar a presença desses nomes nas redes para ampliar o alcance das mensagens da campanha.
Estratégia
A mobilização das redes não está restrita à campanha petista. O campo político ligado à direita também articula influenciadores e apoiadores para atuar no segundo turno.
Um exemplo é a atuação do Partido Liberal (PL) em relação ao canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede) no WhatsApp. O espaço foi criado após o primeiro turno para divulgar conteúdos relacionados à campanha de Lula e ultrapassou 1 milhão de inscritos em 6 de outubro. No mesmo dia, integrantes da comunicação do PL e influenciadores de direita se reuniram por videoconferência para discutir ações contra o canal e alguns participantes passaram a fazer denúncias na plataforma.
Como reação, Janones criou uma página no Instagram voltada à divulgação de conteúdos relacionados à campanha de Lula.
Cenário começou antes
A força das redes na campanha eleitoral já aparecia desde o início oficial da disputa. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque, referente ao período de 18 a 24 de agosto, analisou 21.742 conteúdos publicados nos cinco eixos narrativos acompanhados pelo instituto. As publicações somaram 224,7 milhões de interações.
Naquele período, a direita respondeu por 47% das publicações analisadas e concentrou 57% das interações. A esquerda ficou com 41% dos conteúdos e 30% da repercussão, enquanto as publicações da imprensa representaram 12% do total e concentraram 13% das interações.
No eixo específico da corrida pela Presidência da República, a diferença também apareceu. A direita respondeu por 45% das publicações e alcançou 59% das interações. A esquerda produziu 23% dos conteúdos e ficou com 26% da repercussão. A imprensa foi responsável por 32% dos posts e concentrou 15% das interações.
Leia também
Mais recentes
Do nosso arquivo
Vereador Washington Moreira cobra explicações sobre fila de espera para colonoscopia no SUS
Câmara aprova projeto de Matheus Dias que cria programa de reinserção para dependentes químicos
Senadores cobram ministro por respostas a fraudes contra aposentados do INSS
Governo de Minas e multinacional firmam acordo de R$ 100 milhões
Veja tudo o que publicamos em outubro de 2026
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…







