Mais dois

Os desdobramentos sobre os desvios milionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) seguem a todo vapor. A cada nova descoberta diária, uma surpresa diferente. Para os mineiros, a informação de que mais dois deputados federais estariam no meio dos repasses de recursos às entidades envolvidas no esquema. Os parlamentares, conforme investigações, destinaram emendas ao Instituto Terra e Trabalho (ITT), alvo da operação "Sem Desconto", da Polícia Federal (PF), que investiga desvios e deduções indevidas em benefícios, em repasses que somam ao menos R$ 7,7 milhões entre 2022 e 2024. O primeiro, como é de conhecimento há mais de uma semana, é Euclydes Pettersen (Republicanos). Agora, aparecem Eros Biondini (PL) e Ana Paula Leão (PP), que indicaram montantes ao instituto em diferentes exercícios orçamentários. Além dos três, consta ainda uma quarta emenda de R$ 285 mil, indicada pela bancada de Minas no ano passado. Porém, o autor individual não é identificado por ser uma destinação coletiva. Descobertas que são apenas a ponta do iceberg, infelizmente. Ainda tem muita "podridão" para aparecer.
Quantias
Relatórios da investigação, apontam que Pettersen, alvo de busca e apreensão realizada pela PF na semana passada, destinou R$ 2,5 milhões ao Instituto Terra e Trabalho em duas ocasiões. Em 2022, indicou R$ 1,5 milhão. No ano seguinte, enviou R$ 1 milhão. Os valores foram integralmente pagos. Biondini, por sua vez, enviou a maior quantia individual ao Instituto Terra e Trabalho: R$ 5 milhões em 2024, valor empenhado e pago. Já Ana Paula Leão encaminhou R$ 477,5 mil também em 2024. O presidente do instituto, Vinícius Ramos da Cruz, foi preso preventivamente pela PF durante a operação da última semana. Vale ressaltar que dos três deputados citados, até aqui, apenas Euclydes é investigado. É preciso deixar claro ainda que eles podem ter enviado as emendas sem saber sobre a corrupção dentro do instituto. No entanto, até provar que "focinho de porco não é tomada", a dor de cabeça é gigantesca.
Dinheiro desviado
As investigações da PF apontam que o Instituto é tido como peça-chave da organização criminosa ligada à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). O instituto era quem controlava o fluxo de dinheiro desviado da confederação. Conforme a investigação, o ITT recebia milhões de reais e transferia os valores para empresas de fachada que integravam a rede criminosa. O resultado de todo este esquema criminoso é o desfalque milionário de R$ 637 milhões do INSS. O que explica o caos vivido no órgão, que nunca tem recursos suficientes, afetando diretamente quem precisa de aposentadorias e licenças médicas. Ou seja: quem arca com tamanho prejuízo de novo? O povo que sobrevive para bancar a ostentação de corruptos. Esta é a realidade nua e crua.
Pausa nos descontos
Enquanto as investigações prosseguem, o presidente da CPMI do INSS, o mineiro Carlos Viana (PL) recomendou nesta segunda-feira, 17, a suspensão temporária de 180 dias nos descontos de empréstimos consignados para aposentados, medida que visa proteger beneficiários de fraudes identificadas. O senador revelou que a comissão já detectou irregularidades como empréstimos não solicitados, contas abertas automaticamente e adiantamentos compulsórios. É o mínimo que se pode fazer em prol destes pobres coitados vítimas de ladrões sem coração.
Ameaçadas?
Os deputados Petersen e Biondini podem até conseguir provar que não fazem parte do esquema, mas uma coisa é certa. Os seus nomes citados ameaçam diretamente suas intenções de disputar uma vaga no Senado em 2026. Ambos já haviam demonstrado o desejo de brigar por cadeira na disputa que promete ser acirrada no ano que vem. Além deles, que vêem o desejo minar, pelo menos mais quatro nomes estão no páreo para lançar a pré-candidatura. Por enquanto, há uma indefinição, em especial no PL, onde o deputado estadual Cristiano Caporezzo, que agora arrisca até nas modas sertanejas, jura que é o escolhido de Jair Bolsonaro. Porém, até o momento, o que se vê do ex- presidente, principal referência do partido no país, é sigilo em relação a sua escolha. Há a expectativa, no entanto, que o anúncio ocorra até o fim deste mês.
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