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Manutenção da tarifa dos EUA em 10% resguarda um quarto das exportações mineiras, aponta Fiemg

Manutenção da tarifa dos EUA em 10% resguarda um quarto das exportações mineiras, aponta Fiemg

Da Redação

A definição da nova tarifa global dos Estados Unidos em 10%, e não nos 15% inicialmente anunciados, resguarda um quarto das exportações de Minas Gerais destinadas ao mercado norte-americano, segundo levantamento do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Os dados foram obtidos com base na média dos últimos cinco anos. A mudança reduz impactos potenciais sobre produtos estratégicos da pauta mineira e contribui para manter a competitividade da indústria do estado.

Nova alíquota 

A nova alíquota foi oficializada após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que invalidou tarifas amplas anteriormente impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Com a regulamentação publicada, setores como alimentos, máquinas e equipamentos, dispositivos elétricos e produtos químicos, que vinham sendo sobretaxados em até 50%, passam a ter carga reduzida para 10%.

Além disso, o recuo em relação aos 15% inicialmente sinalizados evita aumento de tarifa para diversos produtos brasileiros que já estavam submetidos à alíquota de 10%. Caso a base tivesse sido elevada para 15%, haveria impacto direto sobre parte relevante da pauta exportadora mineira para os Estados Unidos.

Principais produtos 

Entre os principais produtos exportados por Minas Gerais ao mercado norte-americano nos últimos cinco anos (2021–2025) estão o ferrogusa, que somou US$ 4,55 bilhões no período e representa 24% da pauta estadual para os EUA, o silício metálico, com US$ 718,39 milhões, além dos quartzitos, que também integram o fluxo comercial, considerando inclusive remessas realizadas por portos do Espírito Santo.

Reduzir incertezas 

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Flávio Roscoe, a consolidação da alíquota em 10% representa um passo importante para reduzir parte das incertezas enfrentadas pelo setor industrial e evitar perdas adicionais de competitividade no cenário internacional.

Segundo ele, a confirmação da tarifa nesse patamar preserva uma parcela relevante das exportações mineiras e contribui para manter condições mais equilibradas de concorrência no mercado norte-americano. 

— Em um contexto global marcado por instabilidade econômica e tensões comerciais, decisões que impedem o aumento de custos extras tornam-se fundamentais para garantir maior previsibilidade às empresas — pontuou.

Previsibilidade

Flávio Roscoe ressalta que a previsibilidade é um dos principais pilares para o planejamento estratégico da indústria, especialmente para aquelas empresas com forte atuação no comércio exterior. 

— Ao evitar a elevação adicional das tarifas, cria-se um ambiente mais seguro para investimentos, manutenção de contratos e ampliação de mercados — analisou.

Além disso, a medida contribui diretamente para a proteção de empregos e para a sustentabilidade das cadeias produtivas mineiras, reforçando a importância de políticas que preservem a competitividade e assegurem condições justas de disputa no mercado internacional.

— A Fiemg seguirá acompanhando os desdobramentos da política comercial dos Estados Unidos e defendendo o diálogo entre os países como caminho para assegurar estabilidade nas relações econômicas e condições justas de competição para a indústria mineira — finalizou.

Região Centro-Oeste 

Em se tratando da região Centro-Oeste, o presidente da Fiemg Regional Centro-Oeste, Eduardo Soares, destacou que a confirmação da tarifa global dos Estados Unidos em 10% representa um importante alívio para a indústria da região. Segundo ele, a medida contribui para fortalecer a segurança jurídica e ampliar a previsibilidade para os empresários, fatores essenciais para o planejamento estratégico e a manutenção da competitividade no mercado internacional.

De acordo com Eduardo Soares, a redução da alíquota para 10% impacta diretamente diversos segmentos presentes na região, que se caracteriza por sua pluralidade e forte vocação exportadora. 

— O Centro-Oeste mineiro abriga uma indústria diversificada, que vai do setor metalmecânico à produção de alimentos, passando pelos segmentos de máquinas e equipamentos, fundição, entre outros. Essa diversidade produtiva faz com que decisões relacionadas ao comércio exterior tenham reflexos significativos na sustentabilidade dos negócios locais — avaliou. 

Competividade 

O presidente reforçou que, para uma região industrialmente diversificada, medidas que preservem a competitividade significam muito mais do que números: representam a continuidade das operações industriais, a manutenção de empregos e a geração de novas oportunidades. Além disso, garantem condições para que as empresas sigam investindo em inovação, modernização tecnológica e expansão de mercados.

— Para a Fiemg Regional Centro-Oeste, a definição da tarifa em 10% contribui para um ambiente econômico mais estável, favorecendo o crescimento sustentável da indústria e fortalecendo o papel estratégico da região no cenário produtivo mineiro e nacional — concluiu o presidente. 

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