Dia Mundial da Obesidade acende alerta para avanço do excesso de peso no Brasil

Da Redação
Celebrado nesta quarta-feira, 4, o Dia Mundial da Obesidade chama a atenção para o crescimento acelerado da doença no Brasil e no mundo e reforça a necessidade de prevenção baseada em mudanças de hábitos e políticas públicas de saúde. Dados recentes mostram que o excesso de peso já atinge a maioria da população brasileira e tende a avançar nos próximos anos.
Números assustam
De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, da Federação Mundial da Obesidade, cerca de 68% dos brasileiros têm excesso de peso. Desse total, 31% vivem com obesidade e 37% estão com sobrepeso. O relatório também aponta que entre 40% e 50% da população adulta no país não pratica atividade física na frequência e intensidade recomendadas.
As projeções preocupam. Até 2030, o número de homens com obesidade no Brasil pode crescer 33,4%, enquanto entre as mulheres o aumento pode chegar a 46,2%. No cenário global, mais de 1 bilhão de pessoas já convivem com a doença, e a estimativa é que esse contingente ultrapasse 1,5 bilhão até o fim da década caso medidas efetivas não sejam adotadas.
O que leva a esse aumento?
Especialistas reforçam que a obesidade é uma condição complexa e multifatorial. A nutricionista Ana Paula Bueno explica que não existe uma causa única para o aumento dos casos, mas sim um conjunto de fatores que se intensificaram nas últimas décadas.
Segundo ela, o maior consumo de alimentos ultraprocessados é um dos principais agravantes.
— Antigamente as famílias plantavam e colhiam o que iam consumir. Hoje existe uma oferta muito grande de produtos industrializados, como bolachas e doces, que favorecem o ganho de peso — afirma.
Outro ponto destacado é o impacto do estilo de vida moderno. Estresse, ansiedade, excesso de informações e rotina acelerada contribuem para hábitos alimentares inadequados. A especialista também observa que a mudança na dinâmica familiar, com mais pessoas recorrendo a refeições prontas por falta de tempo, tem influência no cenário atual.
Festas e confraternizações também estão repletas de refeições calóricas e bebidas prejudiciais a saúde, o que torna a exposição à estes produtos maléficos mais frequentes. Por fim, Ana Paula aponta que o sedentarismo é mais um fator, com uma grande redução no número de caminhadas e vezes em que um ser humano movimenta o corpo.
Jovens mais obesos
A nutricionista aponta que, desde os primeiros anos, crianças já estão em contato com a alimentação processada. Com isso, um entre cada três jovens de 10 até 19 anos no Brasil têm excesso de peso. É o que mostra um levantamento nacional com base nos dados do Sistema Único de Saúde (SUS) no país. Segundo os dados, são 2,6 milhões de crianças e adolescentes nessa faixa de idade com algum tipo de sobrepeso.
Medicamentos
Nos últimos anos, o avanço dos medicamentos para emagrecimento trouxe novas possibilidades de tratamento, mas também acendeu um alerta. De acordo com a nutricionista, o uso pode trazer prejuízos.
— Muitas pessoas usam medicação sem mudar a mentalidade e acompanhamento adequado. Há casos de grande perda de massa muscular e não necessariamente de gordura — explica Ana Paula.
Ela ressalta que o tratamento deve ser sempre orientado por um médico e associado à reeducação alimentar e à prática de exercícios físicos, especialmente musculação.
A especialista também chama atenção para o chamado efeito rebote. Sem mudança de comportamento, há risco elevado de reganho de peso nos próximos anos, principalmente entre quem utilizou remédios sem indicação profissional. Por fim, ela ressalta que a chegada dos medicamentos é sim positiva, e, com cautela e orientação, é uma ferramenta poderosa para a melhor saúde dos usuários.
Alerta aceso
Mais do que uma questão estética, a obesidade é reconhecida como doença crônica e fator de risco para diversas complicações de saúde. Entre elas estão diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e diferentes tipos de câncer. Estudos já demonstram aumento da prevalência de tumores em pessoas com obesidade.
O Dia Mundial da Obesidade, segundo especialistas, tem justamente o papel de ampliar a conscientização da população e combater a visão simplista de que o problema se resolve apenas com dieta. O enfrentamento exige abordagem individualizada, acompanhamento profissional e mudanças sustentáveis no estilo de vida.
Estrutura para atendimento
O Atlas também aponta que dois terços dos países ainda não estão preparados para lidar com o avanço da doença — apenas 7% possuem sistemas de saúde adequadamente estruturados para o enfrentamento do problema. Diante desse cenário, profissionais de saúde reforçam que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado e cuidado com a saúde mental formam a base para conter o avanço da obesidade e reduzir seus impactos na população.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
