Medicamento contra vírus respiratório passa a ser oferecido em Divinópolis

Lucas Maciel
A circulação intensa do vírus sincicial respiratório (VSR) segue como uma das principais causas de internações de bebês e crianças pequenas no Brasil. Responsável pela maior parte dos casos de bronquiolite e por uma parcela significativa das pneumonias na primeira infância, o vírus representa um desafio constante para famílias e para o sistema de saúde, especialmente durante os períodos sazonais de maior transmissão. Diante desse cenário, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a disponibilizar o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal indicado para a proteção de crianças com maior risco de desenvolver quadros graves da infecção.
O VSR é hoje a principal causa de infecção respiratória em crianças menores de dois anos. Estima-se que ele esteja associado a cerca de 75% dos casos de bronquiolite e a aproximadamente 40% das pneumonias nessa faixa etária durante os surtos sazonais. A doença pode evoluir rapidamente, provocando dificuldade respiratória, necessidade de internação e, em situações mais graves, risco de morte.
Proteção
Diferentemente das vacinas tradicionais, o nirsevimabe não estimula o organismo a produzir anticorpos ao longo do tempo. Trata-se de um anticorpo monoclonal produzido em laboratório e aplicado diretamente na criança, oferecendo proteção imediata contra o vírus.
Na prática, isso significa que o medicamento atua como uma defesa pronta, especialmente importante para bebês que ainda não desenvolveram um sistema imunológico capaz de responder de forma eficiente às infecções respiratórias. A estratégia é considerada complementar à vacinação de gestantes contra o VSR, que já vem sendo realizada no município desde o fim de 2025.
Essa vacina, aplicada a partir da 28ª semana de gestação, permite que a mãe produza anticorpos que são transferidos ao bebê ainda durante a gravidez, protegendo a criança nos primeiros meses de vida — período de maior vulnerabilidade.
Quem tem direito
O nirsevimabe é indicado para crianças consideradas mais vulneráveis às formas graves da doença. Entre elas estão os bebês prematuros, nascidos antes de completar 37 semanas de gestação, especialmente aqueles com até 36 semanas e seis dias, com ou sem outras condições associadas.
Também fazem parte do público-alvo crianças com menos de 24 meses que apresentem comorbidades que aumentem o risco de complicações respiratórias. A lista inclui cardiopatias congênitas com repercussão hemodinâmica, doença pulmonar crônica da prematuridade, imunodeficiências graves, fibrose cística, doenças neuromusculares graves, síndrome de Down, anomalias congênitas das vias aéreas e outras doenças pulmonares consideradas graves.
A aplicação do anticorpo varia conforme o perfil da criança. Para bebês prematuros, a dose é única e pode ser aplicada ao longo de todo o ano. Já para crianças com comorbidades, o uso é indicado durante o período de maior circulação do vírus, entre fevereiro e agosto. Na segunda sazonalidade de exposição ao VSR, o anticorpo é recomendado apenas para aquelas que mantêm condições de risco.
Acesso
Para ter acesso ao nirsevimabe, as famílias devem procurar uma unidade de saúde, onde o caso será avaliado e encaminhado ao Centro de Referência em Imunobiológicos Especiais (Crie). Também é possível buscar o atendimento diretamente no serviço especializado.
Entre os documentos exigidos estão relatório médico ou sumário de alta hospitalar com a descrição da condição clínica da criança, cartão de vacinação e documento de identificação. O medicamento não deve ser administrado em crianças que já tenham apresentado reação alérgica grave ao nirsevimabe ou a algum componente da fórmula.
Também estão contempladas crianças prematuras ou com comorbidades elegíveis nascidas a partir de agosto de 2025, desde que procurem o serviço de saúde até completarem seis meses de idade.
Cenário local
Dados de saúde reforçam a importância das medidas preventivas. Em 2025, Divinópolis registrou 156 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com 16 óbitos, o que representa uma letalidade de 10,26%. As faixas etárias mais afetadas foram justamente os extremos: crianças menores de um ano e idosos acima dos 80 anos.
A vacinação de gestantes contra o VSR, iniciada em dezembro de 2025, já alcançou mais de 560 grávidas no município, segundo o último balanço apresentado pela Prefeitura, em meados de janeiro. A dose única está disponível nas unidades de saúde, no Vacimóvel e nos postos do programa Saúde na Hora.
Com a incorporação do nirsevimabe ao SUS, a estratégia de enfrentamento às doenças respiratórias na primeira infância ganha um reforço importante, com foco na prevenção de internações, redução de complicações graves e proteção dos grupos mais vulneráveis.
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