Médico alerta para perigos do uso de canetas emagrecedoras falsas: ‘O risco é sanitário’

Lucas Maciel
O crescimento acelerado do uso de medicamentos para emagrecimento no Brasil acendeu um alerta entre profissionais da saúde e órgãos reguladores. Popularizadas nas redes sociais por influenciadores e celebridades, as chamadas canetas emagrecedoras passaram a ser procuradas como solução rápida para a perda de peso, muitas vezes sem orientação médica e fora dos canais legais de comercialização. Paralelamente a esse fenômeno, avançam a falsificação e o contrabando desses produtos, ampliando os riscos à saúde da população.
Perigos
Para entender mais sobre o assunto, o Agora conversou com o médico Kleber Rangel, que chamou a atenção para os perigos que vão além dos efeitos colaterais conhecidos. Segundo ele, o primeiro risco está relacionado à procedência do produto.
— O risco, primeiramente, é sanitário, porque você não sabe da qualidade, da quantidade, da matéria-prima que foi feita. Você não consegue ter uma certificação da Anvisa para comprovar que a dosagem que está sendo feita é a que está sendo vendida — afirmou.
De acordo com o médico, o uso de medicamentos falsificados ou de origem desconhecida pode potencializar reações adversas já associadas a esse tipo de tratamento.
— São produtos que podem ser feitos no fundo de quintal. Então, a qualidade e o risco, por exemplo, de desenvolver uma infecção, uma pancreatite, diarreia, vômitos, que são sintomas muito frequentes, podem ser ainda mais exacerbados com um produto de baixa qualidade e de origem desconhecida — alertou Rangel.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também emitiu alertas sobre a compra e o consumo dessas canetas fora do mercado regular. Segundo a agência, a venda de medicamentos falsos representa um grave risco à saúde e configura crime no país.
Uso sem acompanhamento
Além da falsificação, outro ponto crítico é o uso sem acompanhamento profissional. Para Kleber Rangel, o tratamento para emagrecimento não se resume à aplicação do medicamento.
— O uso correto do medicamento precisa de orientação, de ascensão de dose, de diminuição de dose, de acompanhamento de bioimpedância, de marcadores inflamatórios. Então é algo que deve ser trabalhado com todo paciente que quer fazer emagrecimento — explicou.
Segundo ele, o acompanhamento médico é essencial para garantir segurança e resultados sustentáveis.
— A importância de você estar fazendo isso é segurança para a sua saúde e um emagrecimento com qualidade, onde você possa, além de perder peso, ao final também ter saúde — ressaltou.
Como identificar
Um dos desafios para quem procura os remédios, então, é confirmar a veracidade dos produtos. A farmacêutica Natally Rosa reforçou que o uso de versões manipuladas ou de procedência desconhecida aumenta significativamente os riscos.
— Uma pessoa que se submete ao uso de um medicamento fora dessas regulamentações tem os riscos com certeza exacerbados, desde a ausência de uma resposta ideal até contaminantes — afirmou.
Ela orienta que o consumidor observe atentamente a embalagem do produto.
— A própria embalagem já chama a atenção. As bulas são de fácil acesso na internet. Como está o rótulo? Ele está no idioma do Brasil? Existe lote e validade de fácil acesso? O princípio ativo precisa estar bem legíve — detalhou.
Outro sinal de alerta é o preço. Valores muito abaixo do mercado indicam irregularidade. A farmacêutica reforça que esses medicamentos só podem ser vendidos com apresentação e retenção da receita médica.
Contrabando
A alta demanda também impulsionou o contrabando das canetas emagrecedoras, principalmente vindas do Paraguai. Vendidos sem receita, em negociações informais na rua ou pela internet, esses produtos circulam sem qualquer controle sanitário.
Os números mostram a dimensão do problema. Em 2024, a Receita Federal apreendeu 2.500 unidades. No ano seguinte, esse número saltou para 30 mil canetas, avaliadas em mais de R$ 30 milhões. Estimativas apontam que apenas 5% do total que entra ilegalmente no país é apreendido, movimentando um mercado que pode chegar a R$ 600 milhões.
Dicas
Para quem deseja emagrecer sem colocar a saúde em risco, Kleber Rangel é direto: o caminho passa por avaliação médica e exames regulares.
— O melhor caminho é sempre procurar um centro de tratamento onde você possa fazer exames de sangue para avaliar vitaminas, minerais, exames de bioimpedância, identificar a qualidade da massa muscular e se o emagrecimento está acontecendo de forma fisiológica”, orienta.
Segundo ele, o acompanhamento permite ajustes no tratamento e reduz a chance de efeitos adversos.
— Esse acompanhamento é muito importante para que o corpo não sinta os efeitos colaterais do medicamento e para que o processo aconteça com segurança — concluiu.
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