Membro da UED vai à Câmara e denuncia supostas irregularidades

Marília Mesquita
O estudante de engenharia mecatrônica Thalles Oliveira Campagnani, de 21 anos, subiu na tribuna livre da Câmara ontem como secretário social da União Estudantil Divinopolitana (UED). Ele afirma ter deixado a entidade após perceber possíveis irregularidades praticadas na gestão em exercício, do presidente André Luis Ferreira.
De acordo com Thalles, a UED não está seguindo o Estatuto como deveria e a renda arrecadada não foi depositada integralmente pelo presidente, também como deveria.
— A atual gestão não realiza ata, não se organiza em reuniões da diretoria e não possui conselho fiscal. Para criar uma conta bancária, eu tive que insistir com a diretoria para que a abrisse, e não havendo sucesso, fui ao Ministério Público para solicitar uma intimação — denunciou.
Em um documento ao qual o Agora teve acesso, a reclamação foi arquivada pelo MP em junho último, após André iniciar o processo de abertura de uma conta pela Caixa Econômica Federal. Porém, Thalles disse ainda que, apesar de depositar o valor de R$ 260 que estava aos cuidados dele, o presidente não fez o mesmo.
— Eu coloquei meu dinheiro na conta com correção monetária para não prejudicar a UED e o presidente não colocou toda a parte dele. Ele alega que teve gastos, mas eu discordo. Se teve gastos, o Estatuto fala que os membros da diretoria de forma alguma podem receber dinheiro da entidade. Mas, pode haver ressarcimento. Então, ele deveria depositar todo o dinheiro e depois pedir o ressarcimento — completa.
A denúncia foi protocolada na Câmara e deve seguir para a Comissão de Educação. A União Estudantil de Divinópolis é considerada como de utilidade pública para a população desde 1968 e representa legalmente os estudantes dos ensinos básico, fundamental, médio e superior.
Repercussão
A presidente da Comissão de Educação, vereadora Janete Aparecida (PSD), colocou o órgão legislativo à disposição para avaliar os problemas relatados pelo secretário social.
O presidente da UED, André Ferreira, divulgou uma nota na página institucional da entidade. Ele alega que, na função de representante, pauta com compromisso e dedicação as demandas dos estudantes. E lamentou o pronunciamento do agora ex-membro da diretoria.
Segundo André, que nega todas as acusações, a quantia de R$ 850 que estava sob cuidados dele foi integralmente depositada.
— Não existe nenhum valor comigo — afirma.
Prestação de contas
De acordo com documento publicado em maio pela UED, em 2016 R$ 1.087,45 entraram em caixa, proveniente da confecção de Carteiras de Identificação Estudantil (CIE) e de uma ação social na qual foram vendidas rifas. Ainda pelo documento, todo o dinheiro foi gasto em investimentos com impressão de publicidade, recarga telefônica, lanches e transporte, por exemplo. Para este ano, o valor em caixa equivale a R$ 1.110.
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