Mercado acompanha efeitos sobre a economia com a redução da Selic
Corte nos juros básicos pode influenciar o crédito, o consumo e os investimentos em Divinópolis

A redução da taxa básica de juros pode representar, nos próximos meses, uma oportunidade para o comércio de Divinópolis, com o anúncio da redução da Selic. Com os 0,25 ponto percentual, a taxa básica de juros da economia brasileira passa a ser de 13,75%, percentual, o que deve ser mantido até o fim do ano. A informação foi confirmada nesta quarta-feira, 16, pelo Comitê de Política Monetária (Copom). O efeito da Selic não chega imediatamente ao consumidor, mas uma trajetória de queda pode contribuir para melhorar gradualmente as condições de crédito e estimular compras que dependem de parcelamento.
Maior valor
Para o economista Leandro Maia, o consumidor deve sentir esse movimento principalmente nas compras de maior valor.
Conforme o profissional, o custo do dinheiro começa a diminuir, o consumidor pode encontrar condições um pouco melhores para financiar uma compra. Isso é importante na sua visão, porque muitos produtos vendidos no comércio dependem do parcelamento - explica.
Maia diz que o efeito pode ser relevante para o crediário e outras modalidades de financiamento.
— Se as taxas cobradas nas operações de crédito acompanharem essa tendência de queda, a parcela pode ficar mais acessível. Para uma família que está planejando uma compra maior, isso pode fazer diferença na decisão de comprar agora ou esperar — afirma.
Cartão de crédito
O cartão também merece atenção, mas o economista destaca que a queda da Selic não significa redução automática dos juros dessa modalidade.
— O consumidor precisa ter cuidado para não confundir a Selic com a taxa que ele paga no cartão. O de crédito, principalmente quando entra no rotativo, continua tendo um custo muito elevado. Então, mesmo em um cenário de queda dos juros básicos, o ideal é evitar o pagamento mínimo e o acúmulo de dívida—orienta.
Para Maia, a melhora do ambiente de juros deve ser aproveitada principalmente por quem consegue planejar as compras.
— Juro menor não significa que toda compra passa a caber no orçamento. O consumidor precisa olhar o valor total que vai pagar e verificar se a parcela realmente cabe na renda— acrescenta.
Capital de giro
No lado das empresas, a redução dos juros pode aliviar gradualmente o custo do capital de giro. Pequenos e médios comerciantes frequentemente precisam recorrer a recursos financeiros para comprar mercadorias antes dos períodos de maior movimento.
— O comerciante compra hoje para vender depois. Se ele precisa pegar dinheiro emprestado para reforçar o estoque, o custo desse recurso entra na operação. Com juros menores, existe a possibilidade de reduzir essa pressão financeira — explica o economista.
Ele destaca que esse aspecto ganha importância com a aproximação dos últimos meses do ano.
— O segundo semestre é muito importante para o comércio. As empresas começam a se preparar para datas como Black Friday e Natal, quando normalmente existe uma expectativa maior de vendas. Um crédito mais acessível pode ajudar o empresário a se preparar melhor, desde que ele faça isso com planejamento — afirma.
Vendas de fim de ano
A expectativa de um comércio mais aquecido no fim do ano também pode ser influenciada pelas condições de crédito. Para Maia, porém, o resultado dependerá de uma combinação de fatores.
— O juro é apenas uma peça. Precisamos olhar emprego, renda, inflação e confiança do consumidor. Se as pessoas estiverem com renda e confiança para gastar, uma condição de crédito melhor pode potencializar as vendas — avalia.
Na prática, a explicação mostra que o cenário pode criar espaço para que comerciantes e consumidores entrem nos últimos meses do ano com maior atenção às oportunidades de crédito. Para o empresário, o desafio será equilibrar a formação de estoques com a capacidade real de venda. Já em relação ao consumidor, a preocupação deve ser evitar que uma eventual parcela menor resulte em uma dívida maior no longo prazo.
— O momento pode ser positivo para quem conseguir aproveitar a redução dos juros com planejamento. O empresário precisa comprar pensando na demanda e no consumidor; e o consumidor precisa comprar pensando no orçamento — conclui.
Fiemg
Apesar da redução, para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a taxa permanece em nível restritivo, encarece o crédito, adia investimentos e limita a capacidade de expansão da indústria, com reflexos diretos sobre a produção, o emprego e a competitividade do país.
— Mesmo com a redução, a Selic permanece em patamar elevado e continua encarecendo o crédito, restringindo investimentos e reduzindo a competitividade da indústria, ao aumentar o custo do capital, dificultar o financiamento de novos projetos e restringir recursos destinados à modernização e à ampliação da capacidade produtiva. A estabilidade de preços é indispensável ao crescimento econômico, mas deve ser acompanhada de condições que permitam ao setor produtivo investir, inovar e gerar empregos— explica o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio.
Fatores
A Federação ressalta, no entanto, que a redução sustentável dos juros não depende apenas da atuação do Banco Central. O desequilíbrio das contas públicas e a adoção de estímulos fiscais e de créditos que pressionem a demanda reduzem a eficácia da política monetária e tornam o combate à inflação mais caro para empresas e trabalhadores.
Nesse sentido, o economista defende maior coordenação entre as políticas fiscal e monetária.
— Não é sustentável exigir que os juros carreguem praticamente sozinhos o peso do controle inflacionário, enquanto medidas expansionistas atuam na direção contrária — ressalta.
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