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João Carlos Ramos

Olavo Bilac

Por Bruno
Olavo Bilac

João Carlos Ramos

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu em 16 de dezembro de 1865, no município do Rio de Janeiro, e faleceu em 28 de dezembro de 1918, também no Rio de Janeiro.

Foi poeta, cronista, jornalista e contista, cognominado “príncipe dos poetas brasileiros”. Sua importância excede acentuadamente a crítica nacional. O vendedor de estrelas caminhava pelas ruas do Rio, iluminadas pelos lampiões e também por seu gênio incomparável. Autor do famoso soneto: OUVIR ESTRELAS

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo.

Perdeste o senso. E eu vos direi, no entanto,

que para ouvi-las, muita vez desperto

e abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto

a Via Láctea, como um pálio aberto, cintila.

E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

tem o que dizem, quando estão contigo?

E eu vos direi: amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

capaz de ouvir e de entender estrelas!”

Bilac andava devagar, dialogando com elas, pensando na pequenez dos homens que buscam afogar as paixões não correspondidas nos copos de bebida ardente, enquanto a lua os convidava a acompanhar o poeta em sua jornada infinita. Dono de uma inspiração ímpar e de uma cultura invejável, Bilac fazia escola e provocava espanto em sua geração. Na esquina, um jornaleiro gritava sobre as manchetes do dia, incluindo política e imensas confusões da República recém-criada... o poeta sorria, com certa ironia. Enquanto os bondes tilintavam ao longe, ele observava o céu e dizia que as estrelas eram versos que Deus escreveu sem precisar de papel.

Infelizmente, como quase todos os poetas famosos, Bilac foi infeliz no amor. Amava a belíssima e discreta jovem Amélia. Ele a conheceu em um dos saraus organizados pela família Mariano de Oliveira. Se apaixonaram além das explicações possíveis. Contudo, após a morte do pai, um irmão e a mãe de Amélia se tornaram inimigos daquele grande amor. Bilac adoece gravemente antes de enfrentar tudo e todos por aquele amor sem medidas. Havia ficado noivo dela, mas a queria no leito, sugando todo o néctar daquela flor sublime. Ela, alma inquieta, jogava álcool naquele incêndio de amor.

Os dois pombinhos tinham tudo para serem felizes. Uma noite, deitado na cama, ele brada: “Amanhece! Vou escrever...” E, olhando nos olhos da amada, escreve seu último poema, dedicado a ela, e morre:

“Nunca morrer assim! Nunca morrer num dia assim!

Tu, desgrenhada e fria, fria!

Postos nos meus, os teus olhos molhados

e apertando nos teus, meus dedos gelados.

E um dia assim, de um sol assim!

E a esfera toda azul no esplendor do fim da primavera!

Asas tontas de luz cortando o firmamento!

Ninhos cantando! Em flor a terra toda.

O vento, despencando os rosais, sacudindo o arvoredo

e aqui dentro o silêncio... E este espanto! E este medo!

E entre nós dois... implacável e forte,

a arredar-me de ti, cada vez mais, a morte!...

Eu com o frio a crescer no coração, tão cheio

de ti, até no horror do derradeiro anseio!

Tu, vendo retorcer-se, amarguradamente,

a boca que beijava, a tua boca ardente,

a boca que foi tua... e eu morrendo! E eu morrendo,

vendo-te e vendo o sol, e vendo o céu, e vendo

tão bela palpitar, nos teus olhos, a delícia da vida!

A delícia da vida!”

jocarramos@gmail.com

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