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João Carlos Ramos

Poeta Gonçalves Dias

Por Bruno
Poeta Gonçalves Dias

João Carlos Ramos

Caxias - Maranhão - 10/08/1823 / Guimarães - 03/11/1864. Poeta, dramaturgo e etnólogo brasileiro. Mestiço, trazia no sangue as etnias formadoras do Brasil: branco, negro e índio. Sobretudo, poeta de fina estirpe, altamente nacionalista. Indubitavelmente, ele foi o arquiteto da identidade romântica brasileira. Sua poesia uniu o sentimento patriótico à causa indígena e à natureza. Enquanto muitos escritores olhavam para a Europa, aguardando a importação do talento, Gonçalves Dias beijava o chão literário do nosso amado Brasil.

O movimento indianista foi o grande salto para a formação da literatura nacional. Quem não conhece os versos:

"Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá; as aves que aqui gorgeiam não gorgeiam como lá....?"

Dizem os peritos que esse é o poema mais popular escrito no Brasil. Publicou as obras: Primeiros cantos, Juca Pirama, Os Timbiras, Sextilhas de Frei Antão, dentre outras.

A vida nem sempre são flores para quem sabe sonhar. O grande poeta se apaixonou pela bela Ana Amélia Ferreira do Vale e foi também correspondido, mas havia "uma pedra no meio do caminho": sua mestiçagem gerou uma forte oposição da família dela, que os impediu de se casarem. O poema Somente uma vez mais foi dedicado àquele grande amor, cujas pétalas o vento levou. Diz assim:

"... Adeus que eu parto, senhora. Negou-me o fado inimigo passar a vida contigo. Ter sepultura entre os meus. Negou-me esta hora extrema, nesta extrema despedida, ouvir-te a voz e, comovida, soluçar um breve Adeus!"

O poema arranca todas as pétalas da alma para sepultar aquele sonho de um lindo amor. Dizem que um abismo chama o outro. Assim foi na vida do grande poeta. Ela se casou com outro contra sua vontade, e ele também foi parar nos braços errados.

O destino foi cruel demais com ele, pois, sendo amante das grandes viagens, exatamente em uma delas sua vida teve um triste fim. Naufragou, enquanto os demais se salvaram... o mar, que ele tanto descreveu com a alma em chamas, fez dele sua última morada. Bem dissera em um poema de inspiração sublime:

"A vida é o combate que os fracos abatem, que os fortes, os bravos, só pode exaltar" — Canção do Tamoio.

A paixão avassaladora por Amélia fez dele um homem triste e doente. Viajava sem parar para fugir do algoz do destino. Conheceu muitas mulheres que se curvavam aos seus pés, implorando amor, implorando compaixão. Tudo em vão! A vida seria mais doce com o olhar daquela que jamais seria sua. Amélia era seu sol, sua sombra e sua água cristalina no deserto da vida.

Alguns biógrafos chegam a dizer que o tédio o cegara para a vida e, aos poucos, foi definhando, para tentar esquecer a sombra daquele idílio. O tédio é uma arma traiçoeira e fatal. Bem dizia o poeta alemão Heine, no poema Tédio:

"Venho aqui, doutor, fazer-lhe uma consulta. A doença que punge e esteriliza a mocidade e o espírito resulta de uma chaga que nunca cicatriza. Muito embora comum a toda gente, a de que sofro, feroz hipocondria, tanto me torna infeliz e doente que já nem sei o que é paz e alegria."

Diz o médico, um pouco adiante:

"Tens razão, amigo! Padece realmente. Contudo, a enfermidade, o morbus que o devora, é um produto fatal do século de agora. Uma emoção vibrante, um abalo violento pode curá-lo, creia, num momento. O tédio é uma mordaz loucura. É a treva interior, a grande noite escura onde se esquece tudo: a sorte, a vida amada, o nosso próprio ser, e só se lembra o nada..."

Infelizmente se foi com o sol o grande poeta Gonçalves Dias. Foi conhecer outra terra, onde cantam outros sabiás, enquanto Amélia dorme na saudade!...

jocarramos@gmail.com

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