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João Carlos Ramos

Pablo Neruda

Por Bruno
Pablo Neruda

João Carlos Ramos

Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto (12/07/1904 - 23/09/1973) é mundialmente conhecido como Pablo Neruda. Poeta e diplomata chileno, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1971, elevando o nome do seu país às alturas da crítica mundial. O amor era sua força motriz e o alvo de sua sublime inspiração.

É considerado o poeta nacional do Chile, assim como Drummond é considerado o poeta maior do Brasil. Publicou: Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, Cem sonetos de amor, Para nascer nasci, Livro das perguntas, Confesso que vivi, dentre outros, além de inúmeras traduções ao redor do mundo. Seu poema “Quero apenas cinco coisas” chama-nos a atenção pela ternura das palavras:

"Quero apenas cinco coisas... Primeiro é o amor sem fim. A segunda é ver o outono. A terceira é o grave inverno. Em quarto lugar é o verão. A quinta coisa são teus olhos. Não quero ser... sem que me olhes. Abro mão da primavera para que continues me olhando."

Pablo Neruda foi, indubitavelmente, uma das vozes mais altas da poesia mundial. Desde o combate direto ou da perseguição e do exílio valorosamente encarados, a trajetória do poeta configura-se, simultaneamente, com a evolução de um intelectual militante. Uma das principais aventuras expressivas da lírica em língua castelhana, amparada em um poder verbal incomparável, abraçou o mundo com seu amor imensurável. Uma visão que abarca a vastidão dos seres e o abismo interior da linguagem. Foi um poeta total.

Admirado pela grande estrela da literatura brasileira, Clarice Lispector, que chegou a entrevistá-lo, assustada com seu talento. Ele foi rápido e objetivo, deixando Clarice com sede de sua amizade, na esperança de revê-lo e se tornarem grandes amigos. Foi um "retrato de sensualidade casta e pagã".

Neruda confessava grande admiração por Drummond e Vinícius de Moraes e se identificou muito com nossa alma nacional. Seu texto Um amor diz assim:

"Por ti, junto aos jardins recém-enflorados, me doem os perfumes da primavera. Esqueci teu rosto, não recordo de tuas mãos, de como beijavam teus lábios. Por ti amo as brancas estátuas adormecidas nos parques, as brancas estátuas que não têm voz nem olhar. Esqueci tua voz. Tua voz alegre, esqueci de teus olhos. Como uma flor ao seu perfume, estou atado à tua lembrança imprecisa. Estou perto da dor, como uma ferida; se me tocas, me maltratas irremediavelmente... Tuas carícias me envolvem como as trepadeiras aos muros sombrios. Esqueci teu amor e, não obstante, te adivinho atrás de todas as janelas. Por ti me doem os passados perfumes do estio. Por ti volto a estreitar os signos que precipitam os desejos, as estrelas em fuga, os objetos que caem..."

Para ele, o amor deixado possui o mesmo poder, pois o que importa é o sentimento que não se dilui.

O grande poeta morreu 12 dias após o golpe militar do cruel Pinochet. Foi oficialmente registrada sua morte causada por câncer na próstata; porém, a verdade revelada postumamente foi que lhe aplicaram uma injeção contendo a bactéria Clostridium botulinum, com o intuito de assassiná-lo.

Assim morrem os grandes homens, e às pressas seus nomes passam a morar na memória dos jardins... As tímidas flores se reunirão para homenageá-lo, enquanto o tempo para, e o Brasil e o Chile se unem para cantar sua glória.

jocarramos@gmail.com

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