Matrimônio

João Carlos Ramos
O matrimônio foi instituído no Éden. O objetivo do rito divino era não somente a alegria dos corpos, mas o destino familiar para a perpetuação da espécie. A doutrina da evolução peca por não estabelecer o tempo antes do tempo e por descrer do determinismo que guia os fatos. O criacionismo é um fato e não apenas uma teoria, como defendem alguns, sem argumentos sólidos. Surgem múltiplos debates sobre a crença em um Deus não criado, imutável e com jurisdição sobre a espécie humana. Em Deuteronômio 29:29, diz: “As coisas ocultas pertencem ao Senhor nosso Deus”. Isso põe fim ao assunto no tocante à regra de fé. O cérebro humano possui, em média, 86 bilhões de neurônios, e Deus é infinito. Como poderemos entender a mente divina? Existe apenas uma saída lógica, que é a ferramenta da fé.
O tempo não nos permite desmontar inúmeros argumentos que possam surgir no campo da especulação humana. No matrimônio, no início, tudo é simetria. Dois travesseiros alinhados. Duas escovas de dente paralelas e o silêncio respeitoso. Há até o toque de recolher em alguns casos. Principalmente o mar de delícias em que o homem navega, , sempre é um convite à permanência absoluta. Com o passar do tempo, estabelece-se o caos coreografado. Os eternos pomos da discórdia surgem das coisas simples do dia a dia. O cetro do poder começa a ganhar forma de ambos os lados e de formas distintas. O homem, na maioria dos casos, foge das tempestades passageiras dos comportamentos femininos, procurando abrigo nas latas de cerveja, em um bar, onde os amigos comungam a ideia de liberdade sem responsabilidade. A mulher, por sua vez, não suportando o tédio do lar e as dependências forçadas no campo das finanças, alça voos no campo profissional para amenizar a dor silenciosa. Tudo em vão!
O regresso ao ninho torna-se obrigatório e, infelizmente, o império começa a desmoronar. As razões de ambos os lados tornam-se motivos de discussões sem fim e, em muitos casos, tendo na plateia os filhos.
Sem entender nada, por sua vez, também se refugiam nos jogos e múltiplas diversões, maculando ainda mais a crença nas juras de amor eterno. “Que pessoas nos convém ser, em santo trato e piedade?”
Permitam-me entrar nessa seara, onde uivam os chacais ao anoitecer. O sol parece sempre escaldante e as esperanças se desvanecem. Somos apenas seres humanos, débeis, sensíveis à filosofia narcisista do “sempre eu”. Somos apenas pó a caminho do pó... Assim sendo, guardemos todas as nossas armas e sejamos sóbrios, prontos para a reflexão serena. Diz um sábio que, na hora da tempestade, os marinheiros devem lançar as bagagens ao mar. Naquele momento, é necessário, urgente e óbvio que devemos olhar única e exclusivamente para a solução imediata e solene. Não há tempo a perder com coisas fúteis. Devemos abraçar a mesma causa. O casamento é um dom e, como todo dom, é espontâneo. Todos somos iguais perante o sol, e a sombra é reservada para poucos. Sejamos humildes!
Casamento não é uma empresa. — O lucro deve sempre estar certo! Falência? Nem pensar!... O humano se junta ao humano para suportar-se um ao outro. A felicidade não é quando tudo está dando certo.
O limão servirá para a limonada futura. As experiências das dores são apenas pequenos treinos. Sabemos que a águia-mãe tira todos os utensílios que provocam a maciez dos ninhos. Para que esse comportamento? Os filhotes precisam aprender a voar sozinhos. Queridos casais que leem esta crônica: “O paraíso é logo ali”. Envelheçamos rindo para a vida!
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