Carregando clima…
Editorial

Onde a política toca...

Por Portal Agora
Onde a política toca...

 

Enfim uma fresta de esperança se abre em torno da imponente obra abandonada no bairro Realengo, em Divinópolis, e que já deveria estar em funcionamento desde 2016, quando deixou de receber verbas do Governo do Estado. Mais de R$ 60 milhões foram pelo ralo na construção do Hospital Público Regional Divino Espírito Santo, que tem 36 mil metros quadrados e teria mais de 200 leitos credenciados ao Sistema Único de Saúde (SUS), para atender aos 53 municípios da Macrorregião Oeste. Desta vez, as apostas estão todas no Consórcio intermunicipal de Saúde de Urgência (CIS-URG), que é o órgão regulador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O diretor executivo do Consórcio, José Márcio Zanardi, esteve reunido com os representantes do Governo de Minas Gerais, e uma proposta de finalização da obra e custeio mensal do hospital pronto foi apresentada.

O que se sabe é que o CIS-URG vai ter muito trabalho para realizar este sonho. A placa fixada na porta da construção mostra que o empreendimento estava orçado inicialmente em R$ 47.830.050,00 e o prazo para a conclusão era de 24 meses, ou seja, deveria ter sido entregue em 2012. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a previsão de custo final era de R$ 98.917.720,37. Mas, a novela estava só começando. Oficialmente, a construção entrou em reta final em 20 de setembro de 2013, quando foi publicado no Diário Oficial dos Municípios Mineiros o extrato “Início dos serviços de conclusão das obras do Hospital Público”, que destinou R$ 26.033.221,14 para finalizar a unidade de saúde. O prazo concedido era de 16 meses para a até então última etapa. Portanto, o Hospital Público Regional seria entregue em dezembro de 2014. No mês prometido, a então gerente do Projeto de Implantação dos Hospitais Regionais do governo estadual, Flávia Etelvino, anunciou que o hospital seria entregue em julho de 2015.

Os mais antigos diriam que tem uma “cabeça de burro enterrada” no terreno, pois, em setembro de 2015, o então secretário de Estado de Saúde, Fausto Pereira dos Santos, visitou o “esqueleto branco” e se comprometeu a liberar R$ 10 milhões para a conclusão. Fausto disse, na época, que com a liberação dos recursos, as obras deveriam acelerar e, com isso, em 2016 o hospital seria entregue. Mas nada disso se concretizou. Nove anos se passaram e a estrutura do hospital se definha com o tempo. Várias frentes políticas foram feitas na tentativa de que as obras continuassem, mas nenhuma teve êxito. Diante do sucesso que foi e é o Samu na região Centro-Oeste, é impossível o coração não se encher de esperança que desta vez o plano vai dar certo. Pois simplesmente deixar mais de R$ 60 milhões desperdiçados é, além de falta de respeito com a população e com eleitor, um crime sem precedentes.

A grande pergunta é: agora vai? Tomara que sim! E tomara também que os politiqueiros de plantão não atrapalhem o processo, pois uma obra concluída é uma a menos para usar como palanque eleitoral. Uma construção finalizada é menos uma promessa para fazer para o povo almejando um novo mandato. E tomara também que os termos que estejam regendo este projeto sejam todos técnicos, e nenhum político. Pois onde a política coloca os pés, as mãos... tudo vira pó!

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…