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Editorial

‘Dia do Político’

‘Dia do Político’

O dia 1º de abril é conhecido em vários países do mundo como o “Dia da Mentira”. Apesar das piadas que são feitas para marcar a data com bom humor, a verdade é que este dia traz uma reflexão importante. Afinal, quando mentir vira doença, e começa a afetar o coletivo? Muita gente não sabe, mas quando a mentira se torna um hábito constante e incontrolável, ela vira um transtorno que tem nome: mitomania. A mitomania nada mais é do que a criação de narrativas falsas que prejudicam a própria vida e as relações interpessoais. Porém, muito além de afetar gravemente a vida pessoal e profissional de quem sofre com o problema, a mitomania tem afetado a sociedade e trazido retrocessos consideráveis para o coletivo. Entrando um pouco no clima de descontração, que marcou o dia 1º de abril, a data poderia facilmente ser considerada também o “Dia do Político”. Sim! Pois, se tem algo que combina com mentira é política. Os mitomaníacos. Aqueles que amam criar narrativas falsas para se manter ou chegar ao poder. E, engana-se quem pensa que este comportamento começa apenas em ano eleitoral. Desde o “boom” das redes sociais, os governantes brasileiros se tornaram especialistas no assunto, junto com suas equipes de peso de marketing, seus microfones, e celulares de última geração. 

A prova de que as falsas narrativas já começam a ser construídas está nas pesquisas de intenções de votos para 2026, que começam a ser veiculadas aqui, ali… Tudo já está pronto para o próximo pleito. “Fulano é o preferido para o governo do Estado”, “Fulano é o preferido para o Senado”, “Fulano lidera para presidente”. Os mitomaníacos estão a todo vapor. As histórias falsas estão sendo construídas e trazendo mais retrocessos para o coletivo. A verdade é que muita gente sequer está pensando na eleição para o próximo ano, e nem imagina em quem vai votar. Apesar de ainda ter muita “água para rolar debaixo dessa ponte”, o que tem importado para os representantes do povo é manipular cenários e criar narrativas ilusórias, para se manter no poder a todo custo. O contexto, claro, leva a um ponto: se quem deveria trabalhar em prol da transparência e do povo está fazendo isso, está mais do que comprovado, não é possível sonhar alto para este país. Está cada vez mais escancarado por aqui, que os únicos interesses defendidos são daqueles que deveriam dar exemplo. Os brasileiros, se quiserem que sigam trabalhando apenas para fazer a “manutenção” desse sistema que privilegia apenas um lado. Os mitomaníacos estão livres, leves e soltos por aí, construindo as histórias que querem, como bem entendem. 

Mas, a verdade por trás de tudo isso, é que não é possível culpabilizar apenas uma parte. Se tem show, é porque tem plateia. Se tem gente mentindo, e se mantendo no poder, é porque tem gente acreditando. A verdade por trás desse sistema, é que o povo não consegue lidar com a realidade, e precisa de toda essa mentira para se sentir importante, e se manter no lugar de vítima. E, se tudo está funcionando em perfeita sintonia há décadas, é porque está tudo certo. Como diz aquele velho ditado: “me engana que eu gosto”.

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