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Editorial

De mentira 

De mentira 

Existem duas ferramentas de controle, fiscalização e monitoramento dos poderes públicos, que a grande maioria — mas grande maioria mesmo – da população desconhece. Muito além de atos de rotina e nomeações, o Diário Oficial e o Portal da Transparência escancaram todos os dias uma pontinha do que a política brasileira é. A verdade é que por trás de algumas nomeações, de atos do governo federal, do estadual e de  algumas prefeituras existem articulações que mostram muito mais do que algo que até então é rotineiro. Pode-se usar como exemplo, a liberação da possibilidade de empréstimos consignados com o FGTS como garantia. Desde que o governo federal liberou a modalidade, os trabalhadores já realizaram mais de 40 milhões de simulações da nova linha de crédito. Uma Medida Provisória (MP), que parece inofensiva, mas que carrega grandes interesses políticos, e pode trazer riscos sérios para o trabalhador. Muita gente não sabe, mas o Brasil já vive uma crise de endividamento. Em janeiro, o percentual de famílias endividadas era de 76,1%, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). E, a verdade é que a garantia do FGTS aumenta ainda mais a segurança das instituições financeiras, o que pode facilitar a concessão e reduzir os juros. Porém, para o trabalhador, o impacto pode ser preocupante.

É como diz um ditado: de boas intenções o inferno está lotado. Uma “simples” Medida Provisória, que apesar de tentadora, pode trazer mais dor de cabeça para o brasileiro, e o pior, carrega articulações e interesses grandes políticos para 2026. Divinópolis, claro, também tem seus exemplos. Todos os dias o Diário Oficial traz algo peculiar. Entre uma nomeação aqui, outra ali, o que se pode ver são articulações e interesses próprios sendo defendidos. O povo, se quiser que continue se contentando com o pouco, com o raso, com a maquiagem. Afinal, trabalhar de sol a sol para sustentar os políticos brasileiros definitivamente não é fácil, não sobra tempo para saber o que é, e muito menos entender a importância, e o que contam diariamente essas publicações de fundamental importância. Já acostumado a fazer a engrenagem girar da forma como está, o povo tem preferido fechar os olhos. A realidade é dura demais para enxergá-la. A saída é apenas se contentar com o ilusório. Por aqui, para pasar menos vergonha e não enxergar a realidade nua e crua é só devolvendo para os índios. Deu tudo errado. 

Entre Medidas Provisórias, nomeações, Decretos, Portarias, Leis, compras, licitações, e mais procedimentos que que aparentemente são inofensivos e rotineiros, as “boas intenções” estão lá, gritando, escancarando para o povo do que o Brasil é feito. Por trás de tudo e não é pouca coisa, as “boas intenções” estão ali, mostrando as articulações para as eleições de 2026. Assim, como uma nomeação hoje, outra amanhã, mais daqui um mês — que aos poucos enchem os poderes públicos de comissionados, de indicações políticas, que nada acrescentam para a população. Ao contrário. Deixa a desejar no serviço prestado, pois foi contratado pelo QI, ou seja: quem  indica. Mas, como a realidade é dura demais para ser encarada, o jeito é acreditar nas “boas intenções”, pois se for para lidar com o real, os brasileiros não aguentam de desgosto, e não conseguem mais sustentar esse “Brasil de mentira”.

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