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Editorial

É de cada um 

É de cada um 

Há exatos cinco anos, Divinópolis registrava em sua história a primeira morte por covid-19. A médica, Ana Cláudia Monteiro Oliveira Araújo, de 47 anos, perdeu a vida no dia 8 de abril, por complicações da doença, após duas semanas internada. Ana Cláudia deixou dois filhos e o marido, o médico oftalmologista Alair Jr., que publicou uma nota agradecendo as homenagens prestadas, e fez um apelo à população alertando sobre os riscos da doença, e para que todos respeitassem o isolamento, a fim de evitar novas mortes até que uma solução fosse encontrada. Hoje, cinco anos depois, parece que tudo não passou de um pesadelo, e que a humanidade não viveu o terror, o medo e o caos provocado por um vírus. A impressão que se tem é que o medo de abraçar, de tocar outra pessoa, objetos, de sair de casa não existiu. Mas, tudo isso existiu, sim, e enganou-se quem imaginou que os seres humanos sairiam desse cenário mais amorosos e com mais empatia. A humanidade segue exatamente igual: individualista, e voltada apenas para os próprios interesses e desejos. Todo este contexto foi agravado pelas fake news, produzidas e compartilhadas muitas vezes, incentivando o negacionismo, o que levou parte da população a desrespeitar as regras sanitárias de controle e prevenção da doença. 

O resultado? Muitas mortes e sofrimento. Como já não bastasse, o mais pleno e absoluto caos instalado na saúde pública, a falta de leitos hospitalares, as notícias falsas ainda colocavam dúvidas sobre a vacinação contra a doença, e contribuíram para que muita gente não se imunizasse, o que atrasou a contenção da disseminação da doença, que, consequentemente, terminou em morte. Claro que não foi só isso, pois a imunização não chegou com tanta rapidez. Por isso ,todas as mortes não devem ser colocadas nesta conta. Mas, um fato não se pode negar. Muitas irresponsabilidades cometidas naquela época, trazem reflexos até hoje. Como a  cobertura vacinal infantil, que caiu assustadoramente, sendo necessário um trabalho intenso para tirar o Brasil da lista dos 20 países com mais crianças não imunizadas no mundo. Foi com alívio que autoridades sanitárias receberam a notícia de que o país havia se destacado positivamente, mesmo após enfrentar quedas consecutivas nas coberturas vacinais, que vinham desde 2016. Ou seja, fora do período em que a covid chegou para valer. O que reforça que as campanhas antivacinas não são as únicas responsáveis.  Mas, não deixou de prejudicar. 

O trabalho continua, e a prova de que a desinformação mata está aí. E, apesar de ter se superado na vacinação infantil, o Brasil ainda luta contra a desinformação, muitas vezes espalhadas pela própria população que apenas replica o recebe ou vê na internet, sem ter o trabalho de pesquisar para ter certeza da veracidade. Ontem, 7 de abril, no Dia Mundial da Saúde, o governo federal iniciou a campanha nacional de vacinação contra a influenza. A meta é imunizar 90% dos chamados grupos prioritários, que incluem crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos e gestantes. Em 2024, a cobertura vacinal contra a gripe entre os públicos prioritários foi de 48,89% na Região Norte e 55,19% nas demais regiões. Prova de que os reflexos continuam, mas o trabalho bem feito dos profissionais também. Por isso, não há desculpas, e depois jogar a responsabilidade no outro. Se cada um fizer sua parte,não tem como dar errado. 

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