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Editorial

Realidade bate à porta

Realidade bate à porta

O transporte público de Divinópolis parou. Trabalhadores e governantes foram pegos de surpresa na manhã de ontem, com a deflagração da greve dos motoristas de ônibus que atuam nas empresas que formam o Consórcio TransOeste. Depois de terem gravado um vídeo com o prefeito Gleidson Azevedo (Novo), na última sexta-feira, garantindo que a paralisação estava suspensa, a categoria voltou atrás e iniciou a paralisação nas primeiras horas desta segunda-feira. O resultado: o mais puro caos na cidade. O dia mal tinha começado e os vereadores já estavam reunidos no alto da Paraná para tentar resolver a situação. Falação de lá, falação de cá, e o consenso: a greve é ilegal. O assessor especial de governo, Fernando Henrique foi o porta-voz do Executivo. A paralisação era ilegal, no seu entendimento, pois na sexta-feira, o presidente do sindicat que representa a categoria, Erivaldo Adami chegou a fazer um pronunciamento oficial, em um vídeo divulgado nas redes sociais – mesmo sem nenhum documento oficial assinado – garantindo que não haveria paralisação. Assim, deveria ter sido realizada uma nova notificação, respeitando o prazo de 72 horas. O único caminho: acionar a Justiça para tentar colocar um fim na paralisação. Enquanto o Executivo seguia com os trâmites no Poder Judiciário, era a vez de o Poder Legislativo “dar seus pulos”. 

Uma reunião foi convocada com os vereadores para tentar achar uma solução. Só resenha e falação. Mas solução que é bom, nada! A paralisação seguiu o seu fluxo normalmente. Até que, por volta das 17h, foi anunciado o fim do movimento grevista. É como dizem por aí “camarão que dorme a onda leva”. E, por aqui os vereadores seguem dormindo. Como de costume o caos precisou ser instalado na cidade para que eles agissem, e voltassem o olhar para os problemas reais de Divinópolis. Do outro lado, pode-se dizer que foi “passado o chapéu” no Poder Executivo, que acreditou piamente que um vídeo gravado e postado era a garantia que não haveria uma paralisação. Tudo isso mostrou aquilo que o Agora tem trazido constantemente neste espaço: vídeo não enche barriga. A população ficou a pé, e essa greve no fundo deu uma chacoalhada em todos. A realidade cobra caro. Ser um representante do povo é uma responsabilidade, e nem todos estão preparados para isso. 

A prova viva foi a reunião realizada no plenarinho da Câmara, na tarde de ontem. Um discurso mais fraco que o outro. Só resenha. Enquanto o caos estava instalado do lado de fora, do lado de dentro o que se via era apenas falas desconexas sem que uma solução fosse apontada. A política local está de “dar dó”. O povo, claro, tem sua parcela de culpa nisso. Afinal, ao se contentar com o raso, escolheu os seus representantes com o pouco que eles ofereciam. Não conseguiram ir além. E, hoje, a prova está aí mais uma vez. A realidade hora ou outra bate à porta, e exige além de capacidade, responsabilidade e maestria. Por aqui o fluxo é o mesmo, muita resenha e pouca ação. O caldo entorna para depois tentarem arrumar. Seguem apenas inflando seus egos!

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