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Editorial

Rios de dinheiro

Rios de dinheiro

O processo eleitoral de 2026 está a todo vapor, seja nas discussões internas dos partidos, de futuras federações e mesmo nas legislações. Em Brasília, a expectativa é que o Senado aprecie uma minirreforma eleitoral. A ideia é aprovar as alterações até outubro deste ano, para vigorar já no próximo pleito. 

No centro da discussão, o fim da reeleição com a unificação do período de mandatos de presidente da República, governadores, prefeitos, deputados e vereadores. Outra medida prevista é a reserva de 20% das vagas nos legislativos para as mulheres. Atualmente, a regra prevê apenas 30% de candidaturas femininas.

É quase consenso que, no Brasil, gasta-se demasiadamente com política. Recursos bilionários que poderiam ser investidos em Saúde, Educação, obras e tantos setores carentes. Mas que, a cada dois anos, são destinados a financiar campanhas políticas. 

Apenas em 2020 foi gasto cerca de R$ 1,28 bilhão para custear apenas a logística da eleição, como urnas, mesários, segurança e outras demandas. Já no passado, mais de R$ 4,9 bilhões foram repassados aos partidos. Um custo desse a cada dois anos é uma afronta à população. 

Enquanto isso, o cidadão segue trabalhando, dia após dia, para sustentar essa máquina que, por vezes, mais o atrapalha do que o ajuda. Unificar as eleições, obviamente, pode ser um avanço. É fundamental, porém, criar mecanismos que limitem os gastos com políticos. 

É intolerável encarar a dualidade de um país que, por um lado, vê seu cidadão lutar para colocar comida na mesa enquanto outros vivem regalias extraordinárias, especialmente em anos eleitorais. Gastos exorbitantes com campanhas e marketing para garantir a tão sonhada reeleição. Nenhuma eleição é de graça, há sim custos a serem reconhecidos como “naturais”, com gasolina e panfletos. O que se vê, porém, é uma máquina construída para favorecer aqueles que já estão dentro dele. 

Milhões e milhões para políticos e partidos gastarem a cada dois anos. Enquanto isso, o povo segue na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) à espera de um atendimento, com escolas ainda carentes de infraestrutura, bairros sem infraestrutura básica e tantos outros problemas que assolam os cidadãos brasileiros diariamente. 

O povo financia sua própria enganação. Um verdadeiro escárnio. São recursos de ordem significativa. No momento em que se discute o preço do arroz, do café, da carne, os políticos já se alinham para a próxima guerra para se manterem no poder. Uma luta que nunca termina e a vitória mais importante é sempre a próxima. Talvez a unificação não seja a solução mais efetiva, porém pode dar um alívio a aqueles que querem apenas garantir o mínimo para si e sua família. 

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