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Editorial

Crise da dengue 

Crise da dengue 

A ministra da Saúde, Nísia Trindade “caiu”. Em termos mais formais, foi demitida. A exoneração já era especulada há semanas, visto que a mesma já havia enfrentado seguidas crises e críticas por não ter o traquejo político necessário para lidar com o maior orçamento da Esplanada dos Ministérios, e com a demanda de parlamentares por emendas e reuniões. A gota d’água foi a crise da dengue que se agrava Brasil afora. A verdade é que o país nunca foi exemplo de prevenção. Por aqui as coisas precisam acontecer, piorar e agravar para que os governantes reajam e façam algo para tentar “estancar o ferimento”. Porém, este contexto chama a atenção e vai de encontro não apenas com o amadorismo político, mas também com as responsabilidades do povo. Tão previsto quanto a saída de Nísia do Governo do presidente Lula (PT), o aumento do número dos casos no país já é uma realidade. E pior: o cenário só tende a piorar nas próximas semanas. Incapazes de assumir suas obrigações, os brasileiros não conseguem sequer limpar o quintal, e agora estão de frente ao precipício, apenas lidando com o resultado de seus atos. Quintais sujos é igual epidemia de dengue. As consequências batem à porta. A ministra caiu. É fato. Agora infelizmente o povo começa a “cair” em suas próprias armadilhas. 

Quem plantou a irresponsabilidade vai fazer com que todos estejam sujeitos a pagarem uma conta que pode não ser sua. Além disso, tem ainda a situação da vacina contra a doença. Apesar de já ter tido sua eficácia comprovada, a adesão segue baixa, pois o povo insiste em acreditar em fake news, em terrorismo. Apesar de já ter os meios de prevenção, a população insiste em tentar opinar sobre opinião aos fatos, à ciência, e às suas obrigações. A ministra de fato “caiu”. Não atendeu as expectativas governamentais e populistas que o governo almeja. Porém, em meio à crise política é mais do que preciso parar e pensar: o que o povo de fato quer? O que é real e o que é imaginário? O que é apenas marketing? O que dá para ser feito, melhorado e transformado? Em meio a mais uma crise política, e à aproximação da piora do cenário da dengue no país, é mais do que necessário parar e fazer essas perguntas. Afinal, se ano após ano o contexto só piora, essa é a prova de que o Brasil apenas retrocedeu. Não há evolução de ambos os lados, nem dos políticos, e muito menos do povo. O caos se aproxima mais uma vez. 

E, diante todo este contexto, o caminho que espera os brasileiros é apenas um: hospitais, UPA’s, e postos de saúde lotados por todos os lados daqui  uns 30 dias. Os números de casos notificados, confirmados e mortes devem subir cada vez mais. Mesmo a prevenção sendo algo simples: limpeza e vacina. Nísia Trindade sai do governo por seguidas crises, e em meio ao aumento da dengue no país, mas deixa uma reflexão importante: não seria o povo que está caindo em suas próprias armadilhas todos os dias? Afinal, se os meios para mudar o destino estão aí, por que seguir pelo caminho mais doloroso? Nísia cai, Padilha entra, e tudo seguirá exatamente igual, essa é a verdade... Que venha o próximo.

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