Não fica atrás

“Bestão lá acabou se matando com fogos de artifício”, diz Janja sobre sobre homem-bomba em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), na última semana, em Brasília. Uma frase e inúmeras camadas. Em meio ao combate à violência eleitoral, que insiste em fazer mais vítimas, a primeira dama do Brasil desdenha de algo tão sério, e tão impactante para o país. Não tem como contestar, e utilizar outro verbo a não ser o: falhamos! Sim! O Brasil falhou, a humanidade falhou miseravelmente, e vem falhando dia após dia. Um homem, vítima do extremismo, do bolsonarismo, do negacionismo, das fake news, tirou a própria vida no dia 11 de novembro, em frente ao STF. Em nome do que? Em nome de quem? Nem ele mesmo sabe. Poucos dias após a este fato terrível, a este fato cruel, a primeira dama do Brasil minimiza o caso. Lastimável. Definitivamente não tem como mais fechar os olhos para esta violência eleitoral cometida por ambos lados. Uma frase e uma violência tão grave quanto as cometidas todos os dias por quem espalha as fake news. Uma frase e inúmeras camadas, mas com um fato: falhamos e seguimos falhando todos os dias.
Muito além de um ataque, de um atentado, o ocorrido no dia 11 de novembro, na Esplanada dos Ministérios mostra que Francisco Wanderley Luiz não morreu de loucura, ou de depressão. Ele morreu de Brasil. Mais uma vítima desta “lambança” chamada política brasileira. Morreu vítima deste país que segue dia após dia sendo feito da mais pura e cristalina hipocrisia. Não tem outra forma de definir este contexto a não ser com uma única palavra: hipocrisia. Afinal, por mais que a extrema direita seja a principal responsável por este frutos amargos que o Brasil colhe hoje, a esquerda não tem ficado muito atrás. A sensação que se tem é que ao ser “vítima” durante tantos anos das notícias falsas, foi-se criada uma falsa soberba, que é aproveitada hoje e vem com nuances de propagação de ódio. Pregam o Brasil do amor, quando na verdade estão em guerra com o outro lado, e prontos para responderem na mesma moeda (ou até pior). Em outras palavras: dois extremos unidos pelo mesmo sentimento: o ódio. Cada um com o seu qual, mas de mãos dadas com um objetivo: propagarem o ódio. O amor? Ah, esse fica apenas no marketing, apenas no papel.
Do lado de cá, na vida real, onde a realidade acontece, seja de um lado, ou seja do outro, ambos estão mais do que preparados para continuar essa guerra que só leva o Brasil a um único lugar: o caos. É triste, é desolador, mas é necessário dizer: falhamos. E, o país segue falhando todos os dias. Falhando miseravelmente. Sem grandes esperanças de mudanças ou melhorias. Os governantes apenas se aproveitando das dores do povo, da ilusão e da falta de ensino para se manterem no poder. Nada mais do que isso. Francisco Wanderley e Janja, quem diria, unidos em um único propósito: o ódio. E, não tem como definir todo este cenário com outra palavra: hipocrisia. Diante tudo isso o único caminho é seguir se iludindo, e achando que um lado talvez seja melhor do que o outro, quando na verdade todos estão falhando miseravelmente todos os dias. Claro, sem grandes perspectivas de melhora.
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