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Editorial

Vale a pena 

Vale a pena 

O Brasil se vê envolto de mais uma novela. A PEC que pretende pôr fim da escala de trabalho 6x1. A Proposta da Erika Hilton (PSOL-SP), além de ter gerado inúmeros posicionamentos, que sem sombra de dúvidas devem ser levados em consideração, conseguiu um feito: fazer com que parlamentares de oposição chegassem pela primeira vez em consenso sobre o assunto. Para quem ainda está por fora do assunto, ou viu de uma forma rasa, a PEC reduz de 44h para 36h o limite máximo de horas semanais trabalhadas, fazendo com que o número máximo de dias trabalhados por semana passasse a ser quatro. Como já esperado, existem os parlamentares que são contra, pois acreditam que a proposta traria prejuízos econômicos para o Brasil, pois pela PEC, os salários dos trabalhadores não seriam reduzidos. Esses posicionamentos contra a PEC já eram esperados, mas o fato é que a partir do momento que uma proposta consegue unir lados opostos, a maioria deve sim voltar os seus olhos para essas opiniões. As argumentações são simples e objetivas: é injusto um político que tem uma escala de 3x4 determinar que os trabalhadores, que sustentam esse país dia a dia, de sol a sol, sem qualquer tipo de regalia, tenham suas escalas mantidas em 6x1. 

Em tempos de extremismos e redes sociais, abordar assuntos delicados, como os trabalhistas, é um grande desafio. Porém, o diálogo, mesmo que às vezes seja mais aflorado, se faz de extrema importância. Afinal, o que mais se vê neste país são extremos. De um lado os privilegiados, que seguem suas vidas em seus gabinetes, com suas gravatas, suas lagostas, suas verbas, seus altos salários, suas regalias, seus motoristas e inúmeros assessores. Do outro uma população carente, que não tem sequer o básico. Saúde, educação, segurança, infraestrutura, renda, assistência social. E, fazem de tudo para sobreviver ao Brasil, às filas do Sistema Único de Saúde (SUS), à falta de uma educação de qualidade, às mesmas oportunidades, e além de trabalharem incansavelmente para ter o mínimo do mínimo em casa, ainda precisam conviver com o discurso “o sol nasceu para todos”. Em um país onde a desigualdade social é gritante, é impossível não voltar os olhos para uma discussão tão importante e grande como esta. É impossível não voltar os olhos para este contexto onde o Brasil é um país de muitos, mas para poucos. Um país onde na mesa de poucos fartura adoidado, mas se olhar para o lado, é impossível não se deparar com a fome. 

A discussão sobre esta PEC ainda irá render, e muito, como sempre. Mas, só o fato de ter conseguido juntar dois parlamentares que estão em extremos políticos, o tema deve, sim, receber uma atenção especial, e a população se unir em um só propósito: lutar por algo que realmente vale a pena. Afinal, como já de costume por aqui, o povo só consegue seus benefícios quando passa por momentos difíceis como o que parece que está por vir. Mas, o que a história conta é que algumas lutas valem a pena serem travadas. A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e o fim da escravidão estão aí como prova. Basta o povo querer e se unir.

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