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Editorial

Delírio coletivo 

Delírio coletivo 

Uma onda de fanatismo tomou conta da humanidade nos últimos anos, e não é preciso ir muito longe para constatar isso. As notícias envolvendo o assunto estão aí como prova, e a mais recente foi a da família de uma mulher que se recusou a liberar o corpo dela para o sepultamento, por acreditar que ela iria ressuscitar. O caso aconteceu na última quinta-feira, 12, em Santa Maria do Salto, no Vale do Jequitinhonha, e gerou repercussão entre os moradores da cidade. Segundo moradores, a família costumava frequentar uma igreja evangélica, mas se afastaram e começaram a se reunir para fazer orações em casa com cerca de 15 pessoas. Ainda conforme relatos, a mulher e a irmã dela foram diagnosticadas com câncer, mas não teriam recebido tratamento porque acreditavam que seriam curadas pela fé. Somente depois da intervenção dos agentes de segurança que a família liberou o corpo para o sepultamento. O que mais impressiona é saber que este não é o primeiro caso e não será o último de fanatismo religioso. Porém, o que preocupa são os estragos que esta cegueira tem causado, principalmente na política, e refletido na sociedade como um todo. 

Hoje, 17 de dezembro de 2024, oito anos depois de a humanidade ter aberto as portas para este fanatismo, os frutos são colhidos. A política e a religião se misturaram de uma forma, e causaram estragos irreversíveis. O caminho é sem volta, e traz uma reflexão importantíssima: até quando a humanidade conseguirá se sustentar com esta junção que causou estragos inimagináveis? Longe de preconceitos, mas os fatos estão na mesa. Essa cegueira envolvendo religião e política vem causando danos inimagináveis. Os alertas são feitos há um bom tempo, mas absolutamente nada mudou. Otavio Guedes durante programa jornalístico Estudio I do canal Globo News alertou: “O maior problema da democracia nos próximos anos não vai ser direita ou esquerda, não vai ser estatização. Mas a luta de um segmento que acredita que a Igreja tem que tomar o Estado”. Muita gente não acredita, porém, essa junção causou e causará muito mais problemas. Sem dúvidas, o primeiro deles é a escolha dos representantes. Sem qualquer tipo de critério técnico, que leve em conta o conhecimento e a experiência, líderes religiosos, e até mesmo “falsos profetas” assumem cadeiras no poder público, muitas vezes sem saber o básico. E todos sabem que representar uma segmentação não basta. 

Sem qualquer tipo de seleção, a população segue neste caminho que parece não ter volta, esquecendo-se que o Estado é Laico, e que a democracia é feita da pluralidade. Nem direita, nem esquerda. Hoje a luta real da humanidade é sair deste delírio coletivo para tentar recuperar o pouco que resta. Apesar de parecer impossível, a verdade é que definitivamente não dá mais para “assistir” esse show sem fazer qualquer tipo de movimento para tentar sair dele. Afinal, muita gente pode não acreditar, mas ele tem um preço, que é “salgado”, diga-se de passagem. Não custa tentar, pois tudo pode desmoronar, se tudo continuar como está. 

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