Pelo ralo

Os trabalhos legislativos mal começaram Brasil afora e já estão dando o que falar. Nada muito além do que o brasileiro infelizmente se acostumou desde a redemocratização do país, porém é impossível deixar “passar de liso”. O Senado aprovou na última semana, a liberação de até R$ 4,6 bilhões em emendas bloqueadas em dezembro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Foram 65 votos favoráveis e um contrário, agora, o texto segue para a Câmara dos Deputados. Trata-se da liberação de restos a pagar não-processados, verbas de anos anteriores empenhadas (autorizadas), mas não liquidadas, sem a verificação se o serviço foi executado. De acordo com a justificativa do projeto, a liberação deverá acelerar a conclusão de obras inacabadas até o fim de 2026, com restos a pagar inscritos desde 2019. A notícia chama a atenção, pois é fato que o Brasil é um país com inúmeras obras públicas paradas, verdadeiros “elefantes brancos”, e este processo mostra como o dinheiro público é tratado por aqui. Divinópolis tem o seu exemplar. O Hospital Público Regional Divino Espírito Santo é a prova viva de que responsabilidade com o dinheiro do povo é algo que os governantes definitivamente não têm. A obra ficou parada por sete anos, e serviu de palanque eleitoral por muitos anos. A construção só foi retomada depois que os “representantes do povo” viram que dali não saía nem mais um voto sequer, pois o povo enfim tinha se cansado.
Como o Brasil é exemplo do que se faz quando o assunto é política e gestão pública, o que não falta no país são obras paradas, mostrando que o dinheiro público aqui “vai é pelo ralo”. E, sem qualquer tipo de responsabilidade os governantes seguem, cheios de discursos, mas com poucas ações. Alguns dos critérios para o texto aprovado na última semana, é que a liberação ocorrerá para projetos com licitação já iniciada, e será proibida apenas para obras e serviços sob investigação ou com indícios de irregularidades. Apesar de ter regras frágeis, a verdade por trás deste projeto é a politicagem. Como todos sabem, e muito bem, além de ir pelo ralo, o dinheiro público é utilizado, sem qualquer tipo de responsabilidade pelos governantes, para que seja feita a boa e velha politicagem, cada um em seu reduto eleitoral. É golpe atrás de golpe, e com isso não é possível definir o que é pior: se o dinheiro público se deteriorando com o tempo levando embora as obras paradas, ou se os políticos utilizando os recursos do povo para se manter no poder, escondendo o que há de mais podre por trás dos discursos dignos de Oscar.
Apesar de a situação não trazer nada além do que o brasileiro já não esteja acostumado desde que teve direito ao voto, mas definitivamente não dá para fechar os olhos para essas manobras. Afinal, que mudança é essa que o povo quer? Ela vive apenas na imaginação? Afinal, que fim de corrupção é essa que o povo quer? Ela fica apenas nos textos indignados nas redes sociais? Passou dali, deu uma passo rumo à realidade tudo segue do jeito que está, com o dinheiro público indo pelo ralo? Vale a pena a reflexão.
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