Barulho

Política é construção coletiva. Por isso, a importância da harmonia não apenas entre os poderes, mas também a população. O que temos visto, no entanto, é um total descompasso. Nova pesquisa pesquisa Quaest revelou que, entre 24 de junho e 4 de julho, de 4,4 milhões de menções ao Congresso, 61% foram negativas. Do outro lado, levantamento da Ipsos-Ipec aponta que 43% dos brasileiros avaliam o governo do presidente Lula (PT) como ruim ou péssimo. Ou seja, uma insatisfação generalizada com quem foi escolhido para representar, seja no Executivo ou no Legislativo. Nessa briga, onde um tenta se mostrar mais forte do que o outro, nenhum dos dois poderes tem ganhado musculatura - pelo contrário.
Movimento similar acontece em Divinópolis, devido ao desentendimento na última semana quanto ao uso do Plenário para um encontro entre mães atípicas. Sem entrar no mérito do caso, o que tem se criado, novamente, é uma guerra de narrativas entre os eleitos e não eleitos, com a “Câmara de fora”, ou seja, os candidatos derrotados da eleição passada que tentam se manter em destaque. Fato é: quem está dentro quer ficar, e quem está fora quer entrar. Tudo normal do jogo político. O que temos visto, por vezes, é uma batalha para ver quem tem mais visualizações.
O questionamento é: em quantas oportunidades o barulho não poderia ter sido substituído pelo diálogo? Para muitos, não existe tal opção, pois apenas a confusão dá visibilidade e, dela, surgem os dito heróis, com suas falsas promessas e soluções. Abraçam uma pauta apenas quando ela está desgastada o suficiente, nunca para ajudar desde o início. Acontece em todo país, basta ver a guerra midiática nas redes sociais entre direita e esquerda, lulistas e bolsonaristas. Para eles, o país ou está uma completa maravilha ou a frangalhos. Não existe meio-termo.
A ideia por trás é sempre expor uma cidade, estado ou país no paraíso ou no inferno. Esquecem de colocar os pés nos chão e compreender que um governo bom pode tomar decisões ruins e vice-versa. Os elogios não podem ser tratados como “passada de pano" e as críticas não podem ser vistas como perseguição política.
Por isso, é importante prestar atenção não apenas aos que falam e gritam, mas aqueles silenciosos. Muitas vezes, são eles que estão de fato trabalhando, sem tempo para se perderem no emaranhado de egos e vaidades, onde um quer aparecer mais do que o outro. Cria-se, assim, uma total desarmonia, contrário ao que deve ser a política. O cenário transforma-se num ringue ideológico, cada qual defendendo seu lado e sua visão, interessados apenas em estar em destaque, e não em resolver o problema, qualquer seja ele.
Enquanto isso, a turma do barulho, seja dentro ou fora da Câmara, da Assembleia ou do Congresso, continua fazendo seu batuque, tentando atrair ao máximo os olhares. Querem convencer de que são bons com a oratória, não com ações e trabalho. Afinal, quem de fato coloca “as mãos na massa”, dialoga, articula e faz acontecer. Já quem não sabe nadar, espera ser empurrado pela correnteza.
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