Carregando clima…
Editorial

Preço da imprudência

Preço da imprudência

Um número assustador — dentre outros tantos no Brasil. Levantamento da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) revelou que 50,4% dos proprietários de motos não têm habilitação, ou seja, 16,5 milhões. Em alguns estados, como o Maranhão, esse índice chega a 70%. A questão, obviamente, gera consequências gravíssimas e até mesmo fatais. 

Apenas no ano passado, das 32 mil vítimas de acidentes de trânsito, 13 mil estavam em motos. Uma decisão que coloca em risco a todos no trânsito, de quem assume a consequência de colocar vidas em jogo diante da própria imprudência. 

No aspecto econômico, o presidente Lula (PT) sancionou, na semana passada, a lei que cria a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) gratuita para pessoas de baixa renda, inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). A medida pode significar um avanço importante para aqueles que desejam se habilitar. 

A questão, porém, aponta para outros desafios. Dentre eles, problemas crônicos de muitos brasileiros: a irresponsabilidade e a falta de senso de coletividade. Uma coisa é se prejudicar, outra é colocar em risco as demais pessoas. Isso visto que a maior parte dos acidentes é causada justamente pela imprudência. 

Há uma cultura da intolerância em vigor no Brasil, onde o cidadão quer fazer valer sua ignorância sobre os demais. O sistema é falho, burocracia e cobra caro. Isso, no entanto, não lhes dá o direito à transgressão. 

Infelizmente, falar em educação no trânsito tem pouco efeito prático. Poucos estão, de fato, interessados em mudar seu comportamento: querem apenas gritar e provocar brigas. 

O que temos, infelizmente, é um trânsito caótico, bagunçado e perigoso. Todos os dias vidas são ceifadas no trânsito. Um cenário que, com mais carros a cada ano, não melhora. 

É preciso criar um ambiente com políticas públicas mais saudáveis, que não penalizem aqueles que querem aprender, mas precisam pagar um alto preço, somando-se veículo, gasolina, seguro, IPVA, pedágio, manutenção e outros gastos. Uma conta que penaliza aqueles que desejam estar dentro da lei, mas não suportam tantas despesas. 

Enquanto o sistema seguir assim, muitos continuarão a optar pela irregularidade e o risco. Isso porque as barreiras impostas pelo Estado são cada vez maiores e mais caras. 

Andar sem habilitação é colocar a vida em risco — sua e dos demais. É achar que “nunca irá acontecer comigo”, até acontecer. É banalizar a vida e ignorar os riscos. E não nos enganemos, há muitos motoristas habilitados que também conduzem com imprudência. Lamentavelmente, a pressa e a irresponsabilidade fazem vítimas por todo o país, todos os dias. 

O que se vê é um Estado inchado, interessado em apenas lucrar com qualquer serviço, dificultando a vida do cidadão. E, como sabemos, não dá para confiar na consciência de cada um, cabendo ao governo criar medidas mais eficazes de fiscalização— não para lucrar, mas para evitar tragédias que tem se tornado rotineiras. 

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…