Vai que cola

O ano mal começou e a política local e a nacional viveram momentos que vão além de vexatórios. Por aqui, a semana iniciou com a Câmara de Divinópolis tendo que revogar a Portaria que concedia um aumento de mais de 300% no ticket alimentação dos vereadores, após pressão da população. Ontem, 16, veio à público a notícia de que o prefeito de Santo Antônio do Monte, Léo Camilo (PSD), aumentou o próprio salário, do seu vice, e do seu secretariado, ao apagar das luzes de 2024. A medida, segundo especialistas, é ilegal e fere a Constituição Federal. E, no âmbito nacional, a vergonha que o governo Lula (PT) passou ao revogar a nova regra da Receita Federal sobre monitoramento das transações na modalidade Pix. É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que é difícil até mesmo de processar e acreditar na capacidade e na audácia dos políticos brasileiros em cometer tantas atrocidades contra o povo. É difícil digerir que os políticos brasileiros ainda tentam atuar no modo “vai que cola”, quando existe uma população trabalhando de sol a sol, e encontrando precariedades por todos os lados, sustentando tudo isso.
E, não, não tem como definir qual lado é pior. Independente de como eles se autointitulam, direita, esquerda, centro, extrema-direita, extrema-esquerda. Os comportamentos medíocres estão por todos os lados e provam, mais uma vez, que política é sempre política, indiferente de ideologia, de partido, se é nova ou se é velha. Todos são exatamente iguais. Podem gravar vídeos de todo tipo, com os melhores recortes, os melhores enquadramentos, os melhores movimentos milimetricamente calculados. Desligaram as câmeras eles estão todos lá, do mesmo lado, com o mesmo propósito, e usando o povo apenas como massa de manobra. Apenas isso. Enquanto Divinópolis desmancha em água, e o Brasil segue enfrentando seus problemas habituais, os políticos seguem apenas pensando e trabalhando em prol de si mesmos. Tudo isso com uma pitada generosa de teatro nas redes sociais e, claro, regado a muitas tentativas de justificar o injustificável. Engana-se quem acredita que lado A ou lado B é melhor, ou pior. Engana-se quem pensa que lado A ou lado B se importa com o povo e está a seu favor.
A verdade, nua e crua, e escancarada mais uma vez na cara da população, é que o único lado que os políticos estão é o deles. Entre discursos e silêncios, entre portarias e revogações, a política brasileira tem se mostrado cada vez mais audaciosa e menos preocupada com suas obrigações e responsabilidades. Mas, afinal de contas, de quem cobrar, se o próprio povo tem se contentado com o pouco, com o sensacionalismo, com o raso? Se o próprio povo tem preferido viver polarizado e se contentado com ilusões? Não é possível determinar quem é o culpado neste sistema de “vai que cola”. Pois, é neste embalo que o Brasil tem sido construído e sobrevivido. É em meio a ilusões, promessas e tentativas que a conta tem chegado, cada vez mais cara, e a população cada vez mais polarizada, e distante de uma mudança mínima sequer.
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