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Editorial

Em algum momento

Em algum momento

A política nunca decepciona. São inúmeras demonstrações da boa e velha “sociedade do espetáculo”, que vive de teatro e, óbvio, do raso. Os exemplos estão por todos os lados. Representantes que desconhecem sua atribuição e querem usar a política não para articular melhorias, mas para propagar suas ideologias — não importa o lado. 

É impossível ver essas situações e não questionar: qual foi o momento em que a humanidade parou de ouvir, deixou de respeitar o outro e começou apenas a impor seus desejos, suas vontades, sua fé, sua religião, iniciando essa invasão absurda no espaço do outro? O contexto se torna ainda pior quando se vê governantes praticando tal ato. Quem deveria dar exemplo de respeito à diversidade e à preservação dos direitos alheios está fazendo o caminho contrário. 

Como verdadeiros tratores, os governantes brasileiros têm passado por cima de dados, fatos, ciência e direitos em nome de suas vontades. Não importa a Constituição Federal, a vivência do outro, sua religião, sua fé ou suas crenças. Nada importa. Apenas suas vontades e o que eles acreditam. Situações como essas, que em sua essência não passam de sensacionalismo barato – afinal, se há algo que as escolas ainda preservam é a educação – mesmo que precária diante dos recursos que são repassados a elas – fazem qualquer ser humano minimamente racional se perguntar: em que momento a humanidade se perdeu a esse ponto?

A resposta talvez nunca venha, mas não é mais possível simplesmente fechar os olhos para tamanha barbaridade e seguir “passando pano” para esse tipo de postura dos governantes. As cidades têm centenas de problemas a serem resolvidos, e os ditos representantes do povo conseguem criar até mesmo aqueles que não existem. Falta de experiência? Sim, talvez! Falta de preparo para tal responsabilidade que o cargo exige? Isso, sem sombra de dúvida. Mas ainda assim é possível evitar uma situação como essa, que além de vexatória traz o questionamento: onde isso vai dar? Em que posturas como essa ajudam a cidade a evoluir?

De fato, os projetos apresentados vão contribuir para solucionar os problemas reais de Divinópolis? Por mais difícil que seja entender – e toda essa polarização dificulte ainda mais – um político representa todo um povo, até mesmo aqueles que têm opiniões divergentes. Por mais que os tempos sejam de ódio, mentiras e invenção de problemas, a democracia ainda existe, e ela parte justamente disso: das diferenças e do respeito. E, claro, perante todo este caos, é mais do que necessário que cada um se pergunte: em qual momento a humanidade se perdeu? Em qual momento o outro, o respeito e a Constituição Federal deixaram de existir?

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