Falta de respeito absurda

Definitivamente a humanidade se perdeu, e a sensação que se tem é que não há caminho de volta. As situações de extremo desrespeito estão por todos os lados, e é impossível seguir de olhos fechados para tais absurdos cometidos dia a dia. Independente de ideologia política e/ou partidária, o caos e os exemplos estão por todos os lados. Não há mais limites. O que existe é apenas um desejo enorme de aparecer, de “lacrar”, de ser visto, de ser falado, de atacar. E, justamente neste momento que se tem a certeza de que a “injustiça muda de acordo com os interesses”. Em um mundo cada mais polarizado, cada vez mais caótico, e desrespeitoso, a sociedade teve que “engolir” neste domingo, 26, a apresentação de um folião fantasiado de Jesus Cristo, tirando a roupa até ficar com uma tanga fio-dental durante o pré-Carnaval realizado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Durante a “apresentação” – se é que pode ser chamada assim – a multidão chega a gritar: “Vamos tirar, vamos tirar, vamos tirar Jesus da cruz”. A verdade por trás disso tudo é que essas imagens ferem sim, e desrespeitam os cristãos, os religiosos, e que não tem como exigir respeito quando ele não é dado. Em mundo já carregado de ódio e de preconceitos, não é possível mais tolerar este tipo de ação que fere e desrespeita. É preciso que a humanidade volte a ter limites, e a entender que “o meu direito termina quando o do outro começa”.
Mas, apesar de absurda, desrespeitosa e nojenta, a gravação faz um convite aos brasileiros. O ódio vai ser, aliás já foi, rebatido com mais ódio, escancarando a total e plena falta de capacidade de raciocínio do ser humano – de ambos os lados. Porém, o momento chama para uma reflexão. Onde tudo vai dar, a não ser no caminho de sempre de mais ódio, e mais ataques, e mais preconceito, e mais sensacionalismo? E, é justamente neste ponto que vem a pergunta: o que de fato está alimentando isso? As cenas são deploráveis e desnudam o que há de pior na humanidade, de ambos os lados, o ataque velado às religiões, o desrespeito com a fé, mas chamam para a reflexão: como exigir respeito do outro se o mesmo não é feito? Dois lados de uma mesma moeda se encontram neste contexto e revelam que de fato ninguém é melhor do que ninguém, de ambos os lados. Não existe um lado melhor, e um pior. A verdade é que todos estão juntos, ligados pelo mesmo sentimento: o ódio. Se tem algo que não existe por aqui é o “Brasil do amor”. Se tem algo que tem passado muito longe por aqui é o “amor”. O que há é apenas ódio e mais ódio, desrespeito e mais desrespeito. De ambos lados.
O ódio propagado do lado de lá é respondido com mais ódio do lado de cá. E, no fim, quem ganha com isso? Quem avança com tamanha polarização e desrespeito? A resposta, todos já sabem, e não tem como nem sequer tentar esconder. O Brasil do amor falhou. Agora só resta o caminho da aceitação, e claro, da punição. Afinal, “pau que bate em Chico tem que bater em Franscisco”. De nada adianta cobrar do outro exemplo de retidão e respeito, quando na primeira oportunidade se apoie e tentem justificar tamanha falta de respeito. Aí não há conta que feche.
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