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Editorial

Fatídico dia 

Fatídico dia 

Domingo, 8 de janeiro de 2023. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) previa um dia típico para o Distrito Federal: clima nebuloso, com possibilidade de pancadas de chuva e alerta amarelo, quanto aos riscos de alagamento no perímetro urbano.  Não havia nenhum indicativo climático de que Brasília teria um dia anormal para aquela data. Grande engano. Por trás daquela normalidade, uma tentativa de golpe era planejada, e um crime, não só contra a democracia, mas contra todo o povo brasileiro era cometido. Era por volta das 13h, quando em um movimento abrupto, violento, e carregado de ódio, o Brasil vivia ali um dos seus dias históricos. Criminosos invadiram e depredaram os prédios da Praça dos Três Poderes, e escreveram um capítulo lamentável para o país. Incrédulos com o tamanho que a polarização política tomou, alguns chegaram a imaginar que aquilo não era verdade. Não era possível que a ignorância humana, movida a fake news e a ódio, tivesse chegado naquele ponto. Apesar de parecer cena de filme, e impressionar com tamanha violência, tudo aquilo era real. Um grupo de pessoas atentava contra a democracia brasileira, inconformado com o resultado das urnas naquela eleição. 

O dia entrou para a história do Brasil como um dos capítulos mais vergonhosos, mas ainda serve como lição, e traz grandes ensinamentos. Edmund Burke disse: “Um povo que não conhece a sua história está fadado a repeti-la”. Carregados de ódio, mas usando o nome de Deus para tentar justificar seus atos que utilizaram tamanha violência, os criminosos, que se diziam “à favor da família, e pessoas de bens”, tentaram se inspirar no Golpe Militar de 1954. Fazer com que o Brasil voltasse para a escuridão que foi vivida naqueles longos 21 anos. Vergonhoso. Asqueroso. Medíocre. Essas palavras ainda não conseguem definir o que foi aquele dia 8 de janeiro, que hoje é relembrado como um símbolo de resistência, mas que deixou como aprendizado para os governantes as suas obrigações de trabalhar contra a desinformação. A verdade é que o dia 8 de janeiro iniciou muito antes daquela fatídica data. Ele começou quando as notícias falsas começaram a circular “sem freio” por aí, carregadas de ódio, em um movimento orquestrado por um determinado grupo, e causaram um estrago que ainda é incalculável, e inimaginável. 

Mas, o que mais intriga nisso tudo é perceber que talvez, uma das maiores lições deixadas por este dia, é o que a falta de educação de qualidade pode fazer com um povo, com uma nação, com um país. Sem qualquer tipo de conhecimento, junto à falta de noção da realidade, sobre os muitos passados de 1954, os criminosos daquela data provaram para os governantes que um dia a conta chega. Apesar de hoje os discursos estarem voltados para a “resistência”, para a “vitória da democracia”, a verdade mesmo por trás disso é que o Brasil falhou e segue falhando. Pois, outros 8 de janeiro podem acontecer a qualquer momento, afinal a lição ainda não foi aprendida. O povo segue sem conhecer a sua história, sem acesso à educação de qualidade, sem noção da realidade, e carregados de ódio.

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