Ódio gratuito

A frase: "Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo", além da observação sugerir que quando alguém fala de outro, revela mais sobre si mesmo do que sobre a pessoa que é motivo dos comentários, define bem o atual cenário que a humanidade está. A verdade por trás deste ditado, é que quando alguém fala de outro, especialmente de forma crítica ou negativa, é possível que esteja a projetar seus próprios problemas e inseguranças. Com a popularização da internet, de meados de 2015 para cá, e em seguida, a polarização política e radicalização no mundo, o que se viu foi uma escalada assustadora de discursos de ódio, disfarçados de defesas dos princípios religiosos, mas que estão carregados de preconceito de todos os tipos, misoginia, homofobia, intolerância religiosa e por aí vai. Nem mesmo a morte do papa Francisco escapou do ódio daqueles que se autointitulam cidadãos de bem, e se dizem defensores da família. O homem, que pediu para que a humanidade criasse pontes e não muros, foi vítima da raiva e da frustração de homens e mulheres que se escondem atrás da Bíblia e fazem justamente o contrário do que pregou Jesus. Destilam ódio e amargura. Mas, em nome do que? Em nome de quem?
Essa doença política tem levado a humanidade a caminhos tortuosos, e não há lição neste mundo capaz de fazer com que milhares de seres humanos repensem sobre este comportamento. Mesmo lidando com mais dor, mais violência, a humanidade prefere seguir por esta direção, que não leva a absolutamente nada. O que mais estarrece é saber que nem mesmo quem pratica estes atos sabe o porquê. Boa parte não sabe o significado de comunismo. Nem mesmo quem pratica essas ações conhece a fundo o que está defendendo. É apenas ódio gratuito. É apenas Pedro dizendo sobre Paulo e descontando seus medos, inseguranças, vazios e frustrações. Sem conhecer a fundo suas lutas, ainda usam a Bíblia para justificar tais atos. Quando Jesus na verdade deixou apenas ensinamentos de amor e tolerância, enquanto os que se autointitulam cristãos praticam o contrário. Porém, é preciso ter algo para se “fundamentar”. Admitir para si mesmo que toda esta raiva, todos esses ataques são apenas reflexos do seu eu, é muito; é insuportável. É preciso maquiar tanta raiva com fundamentos contrários ao que Jesus ensinou, em nome de apenas destilar ódio, e levar a humanidade a caminhos ainda mais tenebrosos.
Ao atacar um homem santo morto em seu caixão, escondido em ideologia política e uma suposta fé, quem ataca diz mais sobre si do que sobre o outro. O que conforta é saber que não há nada nesta Terra que não seja revelado. Mesmo com tantos ataques a troco de aparecer, ganhar status, aos poucos tudo é revelado, e já é possível identificar quem é Pedro e quem é Paulo. A realidade é que não tem Bíblia, não tem religião capaz de esconder a essência e referência de um ser humano. Quem é de verdade sabe quem é de verdade. E, um dia, a vida cobra, e quando ela cobra a conta vem salgada. Não tem pregação capaz de mudar aquilo que foi plantado. O fruto vem. Seja doce, seja amargo, ele vem!
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