A estética da burrice

Ser um adulto disfuncional virou estética. Essa é a “skin” da atualidade. Ser burro virou moda. Gostar do raso é o usual. Agressividade virou sinceridade. Egoísmo virou autocuidado. Burrice virou autenticidade. A insanidade está sendo renovada, e o pior de tudo isso – sim ainda tem pior – é que todo este contexto é celebrado nas redes sociais. Discussões inúteis, intermináveis, agressivas. Gente defendendo as maiores asneiras, e se orgulhando disso. Pessoas perseguindo e ameaçando as outras. Um tsunami infinito de informações falsas. Reuniões, projetos, esforços que não dão em nada. Decisões erradas. Líderes políticos imbecis. A febre dos bebês reborn’s. CPI das Bets. Projetos de lei absurdos. A era da burrice chegou. A disfuncionalidade é a cara da sociedade “moderna”. Quando se acha que a humanidade chegou no auge da loucura, que o cenário é o pior possível, ainda tem mais. Como dizem os antigos – e sábios – “atrás de morro vem morro”. Estudos realizados com dezenas de milhares de pessoas, em vários países, revelam algo inédito e assustador: aparentemente, a inteligência humana começou a cair. Ou seja, não é apenas uma sensação. É fato. É verdade. É realidade. A humanidade está mais burra.
De duas semanas para cá a internet começou a ser inundada por notícias absurdas envolvendo bebês reborn’s, em portugês, os bebês realistas. Vídeos de partos de bebês reborn, troca de fraldas, amamentação, nomes, e cuidados. O assunto extrapolou todos os limites da “noção”, e chegou ao Poder Legislativo. Sim! Enquanto o Brasil se afunda no mais profundo e absoluto caos nos mais diversos setores públicos. Um projeto de lei protocolado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na última terça-feira, 13, visa a proibição do atendimento a bonecas do tipo “bebê reborn” e outros objetos inanimados nos serviços públicos de saúde do Estado. A proposta é de autoria do deputado estadual Caporezzo (PL), que argumenta que o projeto foi protocolado após relatos de solicitações de atendimento a esse tipo de boneca em unidades de saúde. Como se já não bastassem os problemas que o país tem, e não consegue resolver, os brasileiros precisam lidar com mais “isso” – é impossível nomear o contexto. Talvez, os terríveis indicadores do Brasil possam “justificar” tal cenário, afinal, um estudo realizado pelo Ibope Inteligência com 2 mil pessoas revelou que 29% da população adulta é analfabeta funcional, ou seja, não consegue ler sequer um cartaz ou um bilhete. E o número de analfabetos absolutos, que não conseguem ler nada, cresceu de 4% para 8% nos últimos três anos (no limite da margem de erro da pesquisa, 4%).
Todo este contexto só leva a um destino: descrença. Desesperança. Não tem como sonhar que um dia este país crescerá com um cenário cada vez pior. Com a humanidade cada vez mais burra. Por mais que tentem enganar, mas a cada dia a realidade se faz e refaz diante os nossos olhos cruel. Os dados não enganam. A era da burrice chegou e não há para onde correr.
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