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Editorial

Brincadeiras à parte 

Brincadeiras à parte 

Eles gravam vídeos como se fossem influenciadores. Gravam conteúdo como se não fossem políticos, eleitos por um povo carente de um trabalho sério e responsável. Eles dançam, rebolam, tietam, fazem cena, interpretam, usam os mais diversos cenários, alguns até mesmo carregados de muito drama, para tornar o seu discurso mais teatral. Apesar de trabalharem para o povo, e serem pagos com o dinheiro público, eles se comportam como verdadeiros “blogueiros”, e deixam de lado suas obrigações enquanto representantes de uma população de milhões de pessoas. Apesar de “arrasarem” no conteúdo publicado na internet, no “cara a cara”, no “tete a tete”, são rasos e fracos. Não têm informações, não sabem como funcionam as redes públicas, seja de saúde, de educação, de segurança pública, e por aí vai. Não conseguem falar sobre políticas públicas e ficam apenas repetindo discursos como se fossem “papagaios de pirata”. Muitas vezes disseminam  até fakes que vêm disfarçadas de conservadorismo. Esse é o retrato de parte dos políticos brasileiros, que se espalham, piorando o contexto da política brasileira a cada dia. Em busca de holofotes e de lacração, eles estão cada vez mais adeptos a este “movimento” e trazem retrocessos significativos ao país. 

Apesar de parte da população sentar e aplaudir, e ainda não conseguir enxergar os danos que este comportamento traz para o Brasil, a verdade é que os eleitores andam elegendo pessoas totalmente despreparadas para as responsabilidades que um cargo político traz, e os retrocessos estão na mesa. Eles se autodenominam os “melhores do Brasil”, e blefam o tempo todo. Não poupam quando o assunto é gravar vídeo e iludir a população. A sensação que dá é que levam na brincadeira, enquanto do “lado de lá” o povo, apesar de iludido, segue com sua luta diária na busca por vagas hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS), por exames, procedimentos, consultas, vaga na educação, infraestrutura digna, uma economia forte que permita viver, e não apenas pagar contas e existir, e por aí vai. Eles iludem, gravam o melhor que o povo quer ouvir, mas brincadeiras à parte, quando a câmera do celular é desligada os problemas continuam do mesmo jeito. Nada mudou. Pouco se evoluiu. 

Quando acreditou-se que tudo mudaria, que a “nova política” iria melhorar o Brasil, nada aconteceu. Tudo permaneceu exatamente no mesmo lugar, porém agora com direito a holofotes, registrados, e com pitadas dramáticas, seja nos gestos, nos cenários e/ou nas falas. Tudo seguiu como sempre esteve. A “nova política” de nova não tem nada. É apenas a “velha” fantasiada nas redes sociais, acumulando os mesmos retrocessos que o país traz desde os primeiros tempos. O que entristece é saber que enquanto tem aplausos, tem show. Ou seja, enquanto o povo aplaude os seus eleitos na política de brincadeira, tudo seguirá como está. O país continuará sendo o país da piada pronta, que acumula prejuízos sociais inestimáveis, enquanto seus políticos brincam na internet e o seu povo apenas sobrevive de Brasil. Afinal, brincadeiras à parte, a realidade não traz muitos motivos para sorrir. Pelo contrário…

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