Algoritmo agradece

Aproximadamente 166 milhões de brasileiros (89% da população) têm acesso à internet, conforme os dados de 2024. Ou seja, essas pessoas vivem em alguma bolha, escolhida de acordo com o algoritmo que a internet as coloca, conforme as buscas e comportamento adotado no mundo virtual. Influenciando o conteúdo que vemos e as recomendações que recebemos, o algoritmo da internet tem determinado inclusive como a sociedade se comporta, os seus avanços e retrocessos. E, claro, no meio desse tsunami de informações que chegam até a bolha de cada um, há sempre as distrações, que têm como objetivo desviar o olhar do povo para o que realmente importa, para o que é real. O que mais impressiona, além de constatar que a humanidade hoje vive de acordo com o que determina o algoritmo, é saber que não tem para onde correr. Não tem como fugir. Tudo é minimamente mapeado, verificado e analisado. Cada comportamento. E, de acordo com o que você “dá” à internet, ela te “devolve”, e te molda, como quer, como deseja. O algoritmo agradece. Se você consumiu algum conteúdo referente à moda “bebê reborn”, sem sombra de dúvidas, você foi “engolido” pelo algoritmo, que neste exato momento te distraiu do que importa, e determinou algum tipo de comportamento. Seja de revolta ou de aceitação.
Do texto revoltado referente ao assunto do momento, ao político que virou chacota por levar uma boneca realista ao plenário para tentar ridicularizar o contexto, absolutamente tudo é nada mais, nada menos do que algoritmo. 166 milhões de brasileiros, 89% da população está presa em uma bolha, pelo simples fato de estar na internet, de ter acesso ao mundo virtual. E, não tem como sair. Não há revolta neste mundo que faça com que a humanidade consiga mudar a rota. É literalmente um caminho sem volta. Do texto com “lacração”, cheio de significados e propósitos, e belas palavras, ao conteúdo mais vazio e raso que está na internet. Absolutamente tudo é sobre algoritmo, e como ele tem influenciado a sociedade como um todo. É sobre como a humanidade tem se mostrado cada vez mais submissa e incapaz de raciocinar. É sobre como os seres humanos têm se mostrado fracos e frágeis sobre aquilo que o mundo virtual tem imposto para cada um em sua bolha. Incapaz de pensar por si próprio, de reagir, a humanidade apenas segue inerte, e consumindo cada vez mais conteúdos limitantes, que conseguem “paralisar” seus cérebros. Afinal, tudo está ali, “mastigado”, na palma da mão.
Ao que tudo indica, não há escapatória. Não tem como fugir do algoritmo, a não ser por um único caminho: pensar. Raciocinar. Esse é o único método de fazer com que as pessoas soltem um pouco as amarras que a internet tem imposto com os seus dados e a sua enxurrada de informações que nos é dada diariamente. O algoritmo agradece e, diante o comportamento e a dependência da humanidade, com certeza se tem uma palavra que o define é “gratidão”. Afinal, estão todos amarrados, com suas viseiras, incapazes de pensar por si próprios, e servindo apenas como massa de manobra em um sistema onde segue ganhando quem tem mais, e quem bem entende desse jogo chamado distração.
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