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Editorial

O reflexo da sociedade 

O reflexo da sociedade 

Políticos eleitos democraticamente, ou seja, escolhidos por eleitores, são representativos dos valores, crenças e desejos do povo que os elege. Apesar de ser uma afirmação complexa, e pode ser analisada de diversos ângulos, em qualquer caso, a frase serve como um ponto de partida para a reflexão sobre a relação entre os cidadãos e o governo, e sobre a importância da participação política e da cobrança dos políticos pelos seus atos. A verdade é que, se uma sociedade é saudável, a política também será. Se  ela está doente, a política também. No Brasil, infelizmente, o que se vê é uma população adoecida e cega pelo extremismo, a ponto de trazer retrocessos significativos para os dias atuais. Este contexto traz tanto a classe política, que incentiva a polarização, quanto os eleitores que sem capacidade intelectual, se deixam levar pelo que ouvem e veem. Falas e atitudes, muitas vezes, disfarçadas de lutas sociais e preservação de espaços e direitos. 

Sem capacidade de raciocinar, até mesmo por não ter acesso a uma educação de qualidade que dê condições para isso, o povo replica essas declarações, e toma para si um comportamento deplorável. Talvez o primeiro ponto, preocupante disso tudo, é que esses pronunciamentos absorvidos pela população criam o efeito da eleição eterna, da competição infinita. Mesmo após eleitos, os governantes seguem atacando, apontando dedos, julgando, competindo, como se estivessem em franca campanha. Como esperado, por aqui, o povo pega para si essas atitudes e segue nesta competição, incapaz de entender que depois de eleitos, os escolhidos pelo povo devem somente trabalhar, e buscar melhorias, independente de partido, de ideologia ou crença. Com este cenário, o propósito de iniciar um diálogo sobre a responsabilidade de cada um na construção de um futuro melhor, fica cada vez mais distante. Com um celular em mãos, eleitores e eleitos conseguem criar um contexto cada vez mais autodestrutivo, e infelizmente, a saída é tentar sobreviver a tudo isso. 

Incapazes de tirar a “viseira que está em seus olhos”, os brasileiros não conseguem enxergar o que é bom e o que é ruim. Há uma revolta seletiva. Há um reconhecimento seletivo. E, esta doença política, entre ataques e discursos nada recomendáveis numa sociedade civilizada, faz com que o Brasil permaneça como está, e cada vez mais distante de avanços. Aproveitando do cenário, os governantes se dão apenas ao trabalho de alimentar este sistema, que beneficia apenas um lado, e não é o do povo. Educação com igualdade de oportunidades e a boa distribuição de renda, que são o resultado de um programa de ação e método para exitoso comportamento, ficam cada vez mais longe, enquanto a população se perde nesta conduta, que beneficia apenas uma parte deste sistema. A verdade é que apesar de a democracia exigir trabalho, esforço e desenvolvimento de cada um, apenas um lado vem ganhando com este cenário. Sem muitos esforços, os políticos seguem trabalhando apenas para manter tudo como está, afinal, se existe um lado que segue perdido, mas alimentando e sendo alimentado disso, é o do povo. E, infelizmente, ao deparar com este contexto, de fato, a política é um reflexo da sociedade. Por aqui, o cenário não é dos melhores.

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