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Editorial

Dinheiro que vai 

Dinheiro que vai 

Um “pequeno” movimento, mas que mostra o quanto o brasileiro está cansado e sufocado. Assim é o Dia Livre de Impostos. Uma “simples” ação que escancara para o mundo o quão cansada a população está. A campanha nacional que tem como objetivo chamar a atenção do povo brasileiro e das autoridades sobre a carga tributária que incide sobre produtos e serviços no país, mostra não apenas o quanto sufocado a população está, mas também a ineficiência dos governantes brasileiros, quando o assunto é diminuir o impacto direto da tributação excessiva no poder de compra do consumidor e no desenvolvimento das empresas. Durante o Dia Livre de Impostos, estabelecimentos comerciais de diversos setores — como lojas de rua, shoppings, postos de gasolina, farmácias, restaurantes e prestadores de serviços — vendem seus produtos e serviços sem repassar o valor dos impostos para o consumidor. Isso significa que os preços podem apresentar descontos significativos, em alguns casos, de até 70%. Segundo a CNDL, a campanha busca demonstrar na prática o quanto os impostos encarecem os produtos e mostrar a complexidade do sistema tributário brasileiro.

A verdade é que a ação é muito além das filas quilométricas que são formadas em postos de combustíveis, na busca alucinante por combustível mais barato, ou das lojas e supermercados. A campanha reflete o quanto o povo brasileiro está arroxado com esta taxa tributária, que definitivamente não tem retorno para a população. O dinheiro só vai. A prova disso é o que mostra o Impostômetro. Até às 16h12 de ontem, 29, o Brasil já tinha arrecadado R$ 1.638.394.137.385,87. E, este número não parava de aumentar. O valor chama a atenção, pois se qualquer um parar agora, onde está, neste exato momento, sem sombra de dúvidas, para onde este dinheiro está indo? Com toda certeza, na sua cidade, no seu bairro tem problema de infraestrutura, na saúde pública então nem se fale, na educação, na assistência social, na segurança pública, e nos mais setores. Não tem como negar. Aqui, o dinheiro só vai. Ele não retorna para quem deveria. O processo não é concluído, e fica por isso mesmo. Tudo termina em pizza. O que impressiona é saber que apesar de estar sufocado, o povo segue distraído. Envolvido em outras pautas, mas segue. Talvez olhar para uma ação como essa com uma dose de realidade seja muito difícil. O jeito é seguir. Não tem muito o que se esperar dos governantes. 

Apesar de escancarar a urgência por uma reforma tributária mais justa, transparente e eficiente, o Dia Livre de Impostos seguirá apenas como um “dia de descontos”. As diversas camadas que o povo está envolvido o impedem de enxergar tal contexto. O que se sabe é que apesar de os dados mais recentes do Tesouro Nacional mostrarem que a carga tributária do Brasil foi de 32,3% do PIB em 2024. Que o governo federal responde por 21,4 pontos percentuais. Este é o maior patamar em pelo menos 15 anos. Que o percentual referente à União subiu de 20,6% no fim do governo de Bolsonaro para 21,4% em 2024, tudo seguirá do mesmo jeito. Hoje é um novo dia pagando os mesmos impostos de anteontem. Um novo dia para seguir vendo o dinheiro apenas indo. Um novo dia para continuar distraído com o irrelevante, enquanto muita gente está tirando vantagem de tudo isso.

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