Qual Divinópolis?

Existe um bordão de uma emissora de TV brasileira, que além de um slogan, traz uma reflexão importante. Iniciada em 2018, quando a polarização no país começava a se acentuar, a campanha, “Que Brasil você quer para o futuro?”, é uma “pedrada na cabeça”, se for analisar com calma. Sim! A verdade é que, acostumado ao papel de vítima, o brasileiro não olha para as próprias ações, e não sabe, ou não quer, cobrar de seus representantes posturas adequadas que de fato vão contribuir para o desenvolvimento do país. E, talvez, seja pelo conforto que este papel de vítima dá para ele, que tudo segue da mesma forma. Entra ano, sai ano, vem político, vai político, tudo continua exatamente igual. Sai o governante 2.0, entra o 2.0, mas disfarçado de 4.0, de nova política, e tudo segue como sempre esteve. Sem grandes avanços, e em alguns casos, com significativos retrocessos, como o caso de Divinópolis. Os ataques feitos por um vereador aos seus adversários políticos, durante uma visita técnica ao Hospital Regional na semana passada, utilizando termos pejorativos, e posteriormente, um vídeo divulgado em suas redes sociais atacando a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escancaram o porquê Divinópolis é uma cidade que não evolui. Com um comportamento totalmente contrário do que prega as palavras de Cristo na Bíblia, uma vez que o parlamentar se autointitula cristão, o vereador destilou raiva, preconceito, e mostrou que o ditado “quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz” está mais do que certo.
E, todo este contexto leva à pergunta: qual Divinópolis você quer para o futuro? É possível sequer sonhar com uma cidade evoluída, quando os próprios representantes têm comportamentos vergonhosos, agressivos, e não conseguem fazer nada além do que atacar, em nome de uma moral, que ninguém sabe ao certo o que é? Com projetos de lei pequenos, preconceituosos, separatistas, que vão na contramão de um coração que ama o próximo, é impossível não se perguntar: é isso mesmo que Divinópolis merece? Uma cidade que tem pouco mais de 255 mil habitantes, e um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,76, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que é considerado médio, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), merece mesmo uma atuação tão amadora tanta pequenez política? Um município que enfrenta diversos problemas, em várias áreas, merece de fato que a população eleja representantes como esse? E, diante de tudo isso, talvez a pergunta ideal seja: qual Divinópolis teremos no futuro, se o hoje é mesquinho e chulo?
A resposta, claro, não é das melhores, e recai sobre os eleitores divinopolitanos. Afinal, como sequer sonhar com uma cidade desenvolvida, se hoje o que se tem é ataque, ódio, preconceito, amadorismo e pouco trabalho? É tempo de recalcular a rota, pois não é mais possível seguir da forma como está, senão a Divinópolis do futuro será pior do que a que se tem hoje. É como determina a Terceira Lei de Newton: para toda ação há uma reação. Então, se a ação hoje é essa, supostamente a reação posterior não será das melhores. E, aí vale a pena se perguntar: que Divinopólis você quer para o futuro?
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