Lado sombrio

Violação de privacidade, preconceito e discriminação, desinformação, impacto ambiental, segurança e ética. Esses são apenas alguns desafios que a Inteligência Artificial trouxe para a sociedade, e se junta às redes sociais na necessidade urgente e gritante de regulamentação e responsabilização. A preocupação com o "lado sombrio" da IA tem levado a discussões sobre a garantia da utilização da ferramenta de forma responsável e ética, com o objetivo de beneficiar a população e evitar danos. A verdade é que a humanidade já acumula danos significativos causados pela internet, e talvez não esteja preparada para lidar com algo tão potente como a IA. Todos já sabem que o treinamento de algoritmos influencia o processo de decisão das redes neurais, e como isso tem impactado a sociedade como um todo, e em processos importantes como a escolha de seus governantes, os seus comportamentos, modos de pensar e agir, e por aí vai. Os exemplos não faltam. Apesar de sua chegada ter sido com o objetivo de criar sistemas que possam realizar tarefas que normalmente exigem inteligência humana, como aprendizado, raciocínio, percepção, compreensão de linguagem, tomada de decisão e resolução de problemas, a Inteligência Artificial tem sim o seu lado sombrio, que na verdade pode-se dizer, foi “trazido” pelo homem.
Diante tanta maldade, de valores humanos distorcidos, e o atual cenário que o mundo enfrenta de extremismo, intolerância, falta de diálogo e polarização, a IA tem tido o seu propósito distorcido, e com isso, vai exigir dos governantes algo que definitivamente eles não têm: capacidade de organização, punição e responsabilização. Sem sombra de dúvidas, a Inteligência Artificial vem com inúmeros e enormes desafios, e traz à tona o debate em torno da desinformação e deepfakes, que é uma técnica que utiliza a IA, especificamente aprendizado profundo (deep learning), para criar imagens ou vídeos falsos de pessoas, em que o rosto ou a voz de uma pessoa é substituída por outra. E, com isso, claro vem a pergunta: o Brasil está preparado para tamanho desafio? Esse questionamento, talvez seja “a pergunta de milhões”, pois o primeiro pode-se lidar com este problema é encarar o fato se há gente capacitada o suficiente para isso, e à partir daí iniciar as estratégias e políticas necessárias para evitar que o uso desenfreado e equivocado desta ferramenta continue fazendo vítimas como as adolescentes de com idade entre 12 e 17 anos, alunas de umas escola particular de Belo Horizonte, que tiveram seus rostos colocados em fotografias pornográficas criadas por meio de Inteligência Artificial.
O caso mostra apenas a “ponta do iceberg”, e o tamanho do desafio que se tem pela frente. Mas o que preocupa mesmo é saber se o Brasil tem condições e está preparado para evitar que mais pessoas sejam vítimas do lado obscuro, que pode-se dizer não ser da IA, mas sim da própria humanidade, que não consegue lidar de forma saudável com algo que foi criado na tentativa de ajudar na evolução do mundo. Os desafios, os problemas, e o tamanho deles estão “postos à mesa”, agora a questão é: o país está pronto, ou tudo transcorrerá como foi com o “boom” das redes sociais? Quantos retrocessos serão acumulados neste novo mundo chamado o lado sombrio dos seres humanos?
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