Desrespeito ao mandato

Bastaram pouco mais de cinco meses para uma denúncia com pedido de cassação chegar à Câmara. O alvo é o vereador Dr. Delano (PL). Para quem está habituado à realidade da política, é difícil imaginar o processo — independentemente do mérito da questão. Assim como ocorre em outras categorias profissionais, a classe política tende a se blindar em momentos de crise.
A Casa legislativa deveria ser, por sua essência, um espaço de debate democrático, onde ideias divergentes se encontram em nome do bem comum. No entanto, o que se tem assistido com frequência é um triste espetáculo de vaidades e disputas pessoais que transformam o plenário em um palco de conflitos estéreis — onde o ego dos vereadores fala mais alto do que as reais necessidades da população.
Em vez de discutir propostas que impactam diretamente a vida dos cidadãos — como melhorias na saúde, educação, mobilidade urbana e segurança —, muitos parlamentares preferem travar batalhas por protagonismo, status ou rivalidades impostas no campo da idepologia política. O debate público dá lugar a discursos inflamados e ataques pessoais, enquanto os projetos de interesse coletivo são deixados de lado ou atrasados por pura conveniência política.
Esse comportamento, em qual cidade que seja, é um desrespeito ao mandato que cada vereador recebeu das urnas. O parlamentar não foi eleito para alimentar o próprio ego, mas para representar os interesses de uma comunidade. Quando a vaidade se sobrepõe à razão, e o desejo de aparecer sufoca a missão de servir, toda a sociedade paga o preço.
Isso também vale para quem está de fora e passa a atacar os eleitos gratuitamente em troca de visibilidade. Não querem cobrar quem foi eleito, mas promover a disseminação de ódio para desgastar sua imagem e enfraquecê-lo para o próximo pleito, visando ocupar sua vaga. O respeito precisa prevalecer independente de cargo ou espaço.
O plenário deve ser um ambiente de escuta, proposição e construção de soluções. O cidadão comum, que acompanha as sessões esperando respostas, vê-se diante de um espetáculo que não entretém, não informa e, sobretudo, não resolve.
É hora de resgatar a dignidade do mandato e lembrar que o verdadeiro protagonismo de um vereador está no trabalho silencioso, no compromisso com os projetos coletivos e na responsabilidade de legislar com ética e foco no bem público. Que os representantes eleitos deixem de lado suas disputas de vaidade e compreendam, de uma vez por todas, que não há espaço para ego quando o que está em jogo é o futuro de toda uma cidade.
Críticas construtivas são totalmente válidas e necessárias. Mas as críticas devem ser feitas sobre a condução do trabalho, e não contra as pessoas. É possível, por exemplo, não concordar com a administração de uma pasta sem proferir ataques pessoais aos secretários. Mas políticos por todo o Brasil se sentem intocáveis e no direito de proferir aquilo que lhes vem à mente. Não se trata de usar palavras feias ou errar uma concordância verbal, mas de usar do cargo para proferir falas ofensivas à honra das pessoas.
O povo merece ser ouvido — não ignorado por causa de vaidades alheias.
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