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Editorial

Groselhas

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Atuar em qualquer área profissional exige conhecimento. O mesmo vale para a classe política. Fiscalizar não significa apenas estar presente e gravar vídeo em uma obra. Assim como legislar não se trata somente de aprovar ou rejeitar um projeto de acordo com a orientação de base ou oposição partidária. 

E, no Brasil, dois exemplos reafirmam que, alguns representantes ainda carecem de profissionalismo. No mais recente, o vice-presidente da Câmara Municipal de Capão Bonito, em São Paulo, Clayton Sassá (União) se manifestou contrário ao tombamento de uma igreja por acreditar que isso significaria a demolição da estrutura, e não sua preservação histórica. A declaração, uma vez mais, reafirma um desconhecimento sobre a proposta em análise. Não é o primeiro nem será o último. 

Semanas atrás, a Câmara de Pouso Alegre aprovou uma reforma administrativa apresentada pela Prefeitura. O Executivo propunha a criação de 33 cargos, porém uma emenda reduziu para apenas sete. A curiosidade é a estratégia utilizada. O vereador da oposição, Israel Russo (União), apresentou uma emenda para reduzir o número de comissionados. Ao ser o primeiro a votar, Russo votou contra a própria emenda. Assim, vereadores da base, desconhecendo o teor do conteúdo e votando apenas contra a oposição, se manifestaram favoráveis à emenda, prejudicando o próprio governo. O pior? Quatro deles recorreram da votação e querem revogar o resultado sob a alegação de que foram induzidos ao erro por manobra política. Ora, não sabiam o que estavam votando? É dever básico de um legislador. 

Os casos reforçam que alguns políticos não estão à altura do cargo ocupado. Não possuem interesse em estudar as pautas e os projetos a serem discutidos e votados. Querem apenas discursar para as redes sociais e votar conforme orientação política ou partidária. Nenhum político é obrigado a entender de todos os assuntos. Por isso, cada um deve buscar, junto a seus assessores, maior entendimento sobre as propostas em pauta. O mínimo a se fazer durante uma discussão é compreender o que está sendo debatido. Exemplos como os acima demonstram que, muitas vezes, os plenários são espaços de pronunciamentos e decisões vazias, baseadas em aspectos que não os da razão. 

O retrato da política brasileira é uma incensante necessidade de falar sobre tudo. Em oportunidades assim, o silêncio e a abstenção é uma forma de respeito ao eleitorado, expressando que apenas abordará o tema quando tiver o conhecimento necessário. É preciso que a política seja tratada com mais seriedade por aqueles que ocupam diariamente as cadeiras do poder. Os maus exemplos estão por todo o Brasil — mas os bons também. 

Não é raro identificar que muitos bons representantes são silenciosos: sabem dialogar e construir políticas públicas sem buscar o protagonismo a todo instante. Identificam o problema e buscam a solução. Simples assim. Mas, no fim das contas, eles acabam punidos pelos algoritmos das redes sociais, pois quem não sabe se comunicar digitalmente acaba sendo esquecido nas urnas. 

Por isso, a importância do cidadão reconhecer e valorizar políticos que são oportunos, mas não oportunistas; que falam apenas quando é necessário ou quando possuem um comentário ou ideia a acrescentar. Não estão interessados em aparecer a todo momento, pois reconhecem que a política não é feita em frente às câmeras, mas por trás delas, em reuniões muitas vezes consideradas burocráticas. O poder do voto reside nesse aspecto, em não recompensar a ignorância e os erros com mais mandatos, mas reconhecer aqueles que, de fato, trabalham pela população. O espetáculo só existe e continua, pois tem público — e aplausos. 

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